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Hiperdia registra mais de 97 mil participações e reforça cuidado de hipertensos e diabéticos em Campo Grande

Programa acompanha pacientes nas unidades municipais com aferição de pressão, avaliação de exames, renovação de receitas e ações de prevenção.

O acompanhamento de moradores com hipertensão e diabetes ganhou destaque na rede municipal de saúde de Campo Grande. Entre janeiro e agosto de 2026, o Hiperdia contabilizou 7.941 atendimentos em grupos e 97.212 participações em atividades coletivas, segundo dados do e-SUS divulgados pela Prefeitura. A iniciativa busca manter pacientes com doenças crônicas próximos das equipes da atenção primária e identificar alterações antes que elas evoluam para problemas mais graves.

Na prática, o programa vai além da aferição da pressão arterial ou da renovação de medicamentos. Os encontros podem envolver avaliação de exames, orientações sobre hábitos de vida, acompanhamento da evolução do paciente e verificação da regularidade das consultas. Para quem vive com hipertensão ou diabetes em Campo Grande, a principal dúvida é justamente como participar desse acompanhamento e quais cuidados estão disponíveis nas unidades municipais. A orientação da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) é procurar a unidade de referência para verificar as atividades oferecidas.

Como funciona o Hiperdia nas unidades de saúde de Campo Grande?

O Hiperdia integra a rotina da atenção primária e permite que as equipes acompanhem de maneira contínua pessoas diagnosticadas com hipertensão e diabetes. Na USF Aero Itália, por exemplo, os encontros acontecem semanalmente e incluem aferição da pressão arterial, análise de exames, renovação de receitas e orientações relacionadas ao controle das doenças. Os profissionais também observam a periodicidade das consultas e a evolução de cada paciente, permitindo identificar situações que precisam de atenção adicional.

O modelo procura criar um vínculo entre os moradores e os profissionais da unidade de saúde. Em vez de procurar atendimento somente quando surge uma complicação, o paciente passa a ter oportunidades regulares para verificar indicadores importantes e conversar com a equipe sobre o tratamento. Na USF Sírio Libanês, por exemplo, atividades físicas voltadas principalmente aos idosos também são realizadas e combinadas com outras ações de acompanhamento.

Os números ajudam a dimensionar a procura pelo serviço na capital sul-mato-grossense. De janeiro a agosto, foram 7.941 atendimentos em grupos, enquanto as atividades coletivas somaram 97.212 participações, conforme o Relatório de Atividades Coletivas do e-SUS. É importante diferenciar os indicadores: o total de participações não significa necessariamente 97 mil pessoas diferentes, já que um mesmo paciente pode participar de diversas atividades ao longo do período.

O acompanhamento também funciona como espaço de educação em saúde. As equipes podem orientar os pacientes sobre hipertensão, diabetes, medicamentos e hábitos cotidianos relacionados ao controle das doenças. O objetivo é permitir que o morador compreenda melhor sua condição e mantenha contato regular com os profissionais, em vez de concentrar o cuidado exclusivamente em episódios de agravamento.

Por que acompanhar pressão e diabetes regularmente faz diferença?

Hipertensão e diabetes são condições crônicas que exigem acompanhamento mesmo quando o paciente não apresenta sintomas evidentes. Na rede municipal, a proposta é usar a atenção primária para observar alterações, acompanhar exames e orientar o tratamento antes que ocorram complicações. A Prefeitura destaca que manter pressão arterial e glicemia sob controle contribui para reduzir riscos associados às doenças, incluindo infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Esse acompanhamento também pode ajudar a evitar que situações que poderiam ser controladas na unidade básica evoluam até exigir atendimento de urgência. O trabalho preventivo ganha relevância porque hipertensão e diabetes podem afetar diferentes órgãos ao longo do tempo quando não são adequadamente controladas. Por isso, comparecer às consultas, realizar os exames solicitados e utilizar corretamente os medicamentos prescritos são partes complementares do acompanhamento.

Campo Grande possui ainda protocolos específicos para orientar os profissionais da atenção primária. No caso do diabetes, o guia municipal de manejo clínico prevê exames e avaliações como glicose, hemoglobina glicada, colesterol, creatinina e avaliação do pé diabético, entre outros procedimentos conforme a situação do paciente. O documento também estabelece sugestões de periodicidade para consultas de acordo com o risco cardiovascular e indica que atendimentos podem ocorrer individualmente, de forma compartilhada ou nos próprios grupos do Hiperdia.

Isso significa que o acompanhamento não precisa ser idêntico para todos os pacientes. Pessoas com condições controladas podem seguir determinada rotina, enquanto aquelas com maior risco ou dificuldade para controlar a doença podem precisar de avaliações mais frequentes. A definição deve ser realizada pela equipe responsável com base na situação clínica individual, o que reforça a importância de o morador manter seu acompanhamento atualizado na rede.

Como participar do Hiperdia e o que o paciente deve fazer?

Moradores de Campo Grande diagnosticados com hipertensão ou diabetes e que ainda não participam das atividades devem procurar sua unidade de saúde de referência. A própria Sesau orienta esses pacientes a consultar a equipe para descobrir quais ações estão disponíveis e como funciona o acompanhamento naquele território. Como a organização pode variar entre as unidades, horários e atividades específicas devem ser confirmados diretamente no local.

Depois da entrada no acompanhamento, o paciente pode passar por consultas e avaliações periódicas de acordo com sua condição. As equipes observam exames laboratoriais, uso dos medicamentos, frequência das consultas e evolução clínica. Os encontros coletivos acrescentam uma dimensão educativa ao tratamento, permitindo abordar alimentação, atividade física, adesão aos medicamentos e outros fatores relacionados à hipertensão e ao diabetes.

O funcionamento da atenção municipal também passou recentemente por ajustes. Desde o início de setembro, a Sesau reorganizou horários de diferentes serviços da rede para adequar a distribuição das jornadas dos profissionais e a capacidade operacional das unidades. Segundo a Prefeitura, os serviços regularmente oferecidos foram mantidos, enquanto as mudanças estão relacionadas principalmente aos horários e à distribuição da força de trabalho.

Para quem depende do SUS em Campo Grande, o dado mais relevante do Hiperdia está justamente na continuidade. Os 97.212 registros de participação em atividades coletivas mostram uma utilização expressiva dessas ações durante os oito primeiros meses do ano, mas o benefício individual depende da regularidade do acompanhamento e da adesão ao tratamento definido pelos profissionais. Hipertensos e diabéticos que estejam há muito tempo sem avaliação podem procurar sua unidade de referência e verificar como retomar o cuidado.

A expansão do acompanhamento de doenças crônicas também ajuda a direcionar a atenção primária para a prevenção. Quando alterações de pressão, glicemia ou exames são identificadas precocemente, a equipe tem mais condições de orientar o paciente e avaliar a necessidade de mudanças no tratamento. Em uma cidade do porte de Campo Grande, fortalecer esse vínculo pode reduzir complicações evitáveis e aproximar o serviço público de saúde da rotina dos moradores.

Fontes:

Prefeitura de Campo Grande — Hiperdia aproxima cuidado de pacientes com hipertensão e diabetes

A Crítica — Programa Hiperdia registra quase 100 mil participações em Campo Grande

Prefeitura de Campo Grande — Guia de manejo clínico do diabetes na Atenção Primária à Saúde

Prefeitura de Campo Grande — Saúde reorganiza atendimento em unidades da Capital