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Campo Grande deve crescer acima da média nacional em 2026; entenda os números

Boletim da Prefeitura aponta PIB municipal em alta de 2,5%, impulsionado por serviços, exportações e geração de empregos

Enquanto o Brasil convive com juros elevados e um cenário de maior incerteza inflacionária, Campo Grande projeta fechar 2026 com um desempenho econômico acima da média nacional. Segundo o Boletim Econômico da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades), divulgado no fim de agosto, a estimativa é de crescimento de 2,5% no Produto Interno Bruto (PIB) da Capital, superando as projeções de 1,9% para Mato Grosso do Sul e de 2% para o país, conforme a Resenha Regional do Banco do Brasil.

A dúvida que fica para o morador de Campo Grande é o que, na prática, esses números representam para o dia a dia da cidade. A resposta passa por três frentes principais apontadas no boletim: geração de empregos, avanço do comércio exterior e fortalecimento do setor de serviços, que já responde por 82,4% do Valor Adicionado Bruto do município.

Exportações crescem 40% e ajudam a puxar a economia da Capital

Um dos dados que mais chamou atenção no levantamento da Semades foi o desempenho do comércio exterior. As exportações de Campo Grande somaram US$ 462,47 milhões no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 40,24% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo reportagem do Correio do Estado. O saldo da balança comercial da Capital chegou a US$ 252,23 milhões no período. Parte desse avanço está associada à movimentação em torno da Rota Bioceânica, corredor logístico que conecta o Centro-Oeste brasileiro aos portos do Pacífico e que entra em fase final de construção neste mês de setembro.

O secretário municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Ademar Silva Junior, avaliou que a projeção de crescimento do PIB precisa ser lida em conjunto com outros indicadores, e não isoladamente. “Temos geração de empregos, crescimento da base empresarial, fortalecimento do setor de serviços e avanços no comércio exterior. Ao mesmo tempo, estamos trabalhando para tornar os processos municipais mais simples, rápidos e digitais”, afirmou, em declaração reproduzida pelo portal Enfoque MS. Vale registrar que, conforme apurado pelo Correio do Estado, os dados disponíveis mostram a evolução dos indicadores econômicos, mas não estabelecem uma relação direta de causa e efeito entre as políticas municipais de desburocratização e o crescimento projetado do PIB.

Mercado de trabalho e base empresarial também avançam

Outro ponto de destaque do boletim é o comportamento do mercado formal de trabalho na Capital. Segundo reportagem do Correio do Estado, na comparação com dezembro de 2019, período anterior à pandemia, Campo Grande tem hoje 44.640 vínculos formais a mais, um crescimento de 23,24%. No primeiro semestre de 2026, os serviços lideraram a abertura de vagas, com saldo positivo de 2.088 postos, seguidos pela construção civil, com 1.467. A taxa de desocupação ficou em 4,1% no primeiro trimestre do ano, a quarta menor entre as capitais brasileiras, de acordo com os dados municipais.

A base empresarial da cidade também segue em expansão. Levantamento da Semades, citado pelo portal Região Notícia, mostra que Campo Grande alcançou 155.220 empresas ativas em abril de 2026, um crescimento de 19,1% em relação ao início de 2025 e de mais de 50% desde 2020. O município concentra atualmente mais de 41% de todas as empresas registradas em Mato Grosso do Sul, o que reforça sua posição como principal polo econômico do Estado.

Apesar do otimismo, a própria Prefeitura reconhece que os números são projeções e dependem do comportamento da economia nos meses restantes do ano, especialmente diante de um cenário nacional marcado por juros altos, que costuma impactar de forma mais direta setores dependentes de crédito, como o comércio de bens duráveis. Enquanto isso, o segmento de serviços tem se mostrado mais resiliente, sustentando parte relevante do resultado positivo da Capital em relação à média do país.

Fontes consultadas: