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Rota Bioceânica entra em fase final e reforça papel de Campo Grande no comércio com o Pacífico

Ponte que liga Porto Murtinho ao Paraguai tem conclusão prevista para setembro e projeta Mato Grosso do Sul como hub logístico entre o Atlântico e o Pacífico

A Rota Bioceânica, corredor rodoviário que vai conectar o Centro-Oeste brasileiro aos portos do norte do Chile por meio de Paraguai e Argentina, chegou a uma etapa decisiva neste mês de setembro. A ponte internacional que liga Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, a Carmelo Peralta, do lado paraguaio, teve os dois lados da estrutura unidos em julho e agora passa pelos ajustes finais, com conclusão prevista ainda para este mês, segundo informações publicadas pelo blog especializado em logística Favorita. Para Campo Grande, ponto de partida do corredor dentro do território brasileiro, a expectativa é de consolidação como centro de distribuição regional, à medida que o fluxo de mercadorias entre o Mercosul e a Ásia passa a contar com uma rota mais curta.

A estrutura é considerada uma das obras mais simbólicas da integração sul-americana das últimas décadas. Segundo reportagem do portal A Crítica de Campo Grande, a ponte tem 1.294 metros de extensão, 21 metros de largura e torres de 125 metros de altura, sendo a terceira ligação rodoviária entre Brasil e Paraguai. A construção começou em janeiro de 2022 e o momento em que as duas metades da estrutura se encontraram sobre o Rio Paraguai, batizado pelos engenheiros de “beijo das aduelas”, ocorreu em maio deste ano. Do lado brasileiro, seguem em andamento as obras de acesso pela BR-267, sob responsabilidade do DNIT, com investimento estimado em R$ 472 milhões e previsão de conclusão até o fim de 2026.

O que muda para quem vive e trabalha em Campo Grande

A principal dúvida de quem acompanha a obra é qual será o impacto direto na rotina da Capital, já que a ponte fica a mais de 400 quilômetros de distância, em Porto Murtinho. A resposta está na movimentação econômica que já começa a se formar. De acordo com reportagem do Região News, grandes players do mercado, incluindo marketplaces, avaliam a instalação de centros de distribuição em Campo Grande, funcionando como armazéns preparados para atender tanto o mercado nacional quanto os fluxos internacionais que devem crescer com a integração rodoviária. Pedidos de licenciamento para esse tipo de empreendimento já chegaram à Prefeitura, segundo a mesma reportagem.

O corredor, quando estiver em plena operação, deve reduzir em cerca de 9,7 mil quilômetros a rota marítima das exportações brasileiras destinadas à Ásia, conforme dados divulgados pelo colunista Marco Eusébio, do Capital News, com base em informações oficiais. A estimativa é de diminuição de até 23% no tempo de transporte de mercadorias até a China, o equivalente a algo entre 12 e 17 dias a menos, o que tende a baratear o frete e, consequentemente, o preço final dos produtos exportados. Também estão previstas estruturas alfandegárias integradas entre os países, com expectativa inicial de fluxo de 250 caminhões por dia circulando pela nova rota, número que pode crescer à medida que o corredor for consolidado.

Como o avanço da obra se conecta à economia da Capital

O momento da Rota Bioceânica coincide com um cenário econômico favorável em Campo Grande. Segundo o Boletim Econômico da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades), divulgado em agosto, a cidade deve encerrar 2026 com crescimento de 2,5% no Produto Interno Bruto, acima das projeções de 1,9% para Mato Grosso do Sul e de 2% para o Brasil. As exportações do município somaram US$ 462,47 milhões no primeiro semestre, alta de 40,24% em relação ao mesmo período de 2025, com saldo da balança comercial de US$ 252,23 milhões, conforme dados repassados ao Correio do Estado.

Esse desempenho no comércio exterior é apontado por especialistas como um dos fatores que reforça o interesse de empresas em antecipar sua presença na região antes mesmo da conclusão total da rota. O secretário municipal Ademar Silva Junior destacou, em entrevista ao Correio do Estado, que a projeção de crescimento do PIB precisa ser interpretada em conjunto com outros indicadores, como geração de empregos, expansão da base empresarial e fortalecimento do setor de serviços, que respondeu por 82,4% do Valor Adicionado Bruto do município no período analisado.

Também nesta semana, Campo Grande sediou, nos dias 4 e 5 de setembro, o 2º Fórum Sul-Americano de Integração da Rota Bioceânica, reunindo empresários, investidores e autoridades do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, segundo o blog Favorita. O evento reforça o protagonismo que a cidade busca assumir como polo de distribuição, mesmo estando fisicamente distante do ponto de travessia da fronteira. É importante registrar que o corredor ainda não está totalmente concluído: existem trechos em fase de finalização, especialmente do lado paraguaio, e temas relacionados à burocracia aduaneira entre os quatro países seguem em negociação.

A expectativa de quem acompanha o projeto é que, com a entrega da ponte prevista para este mês, a atenção se volte agora para a conclusão dos acessos rodoviários e para a definição das regras alfandegárias que vão determinar a fluidez do comércio entre os países envolvidos. Para Campo Grande, o desafio passa a ser aproveitar a janela de oportunidade aberta pela obra, consolidando a infraestrutura logística necessária para atrair os investimentos que já começam a ser avaliados por empresas de diferentes setores.

Fontes consultadas: