Estimativa da Prefeitura aponta expansão de 2,5% na economia da Capital, superando as projeções para Mato Grosso do Sul e para o Brasil neste ano.
A economia de Campo Grande deve crescer acima da média nacional em 2026, segundo projeção divulgada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico (Semades). A estimativa aponta expansão de 2,5% no Produto Interno Bruto (PIB) da Capital neste ano, número que fica acima tanto da previsão para Mato Grosso do Sul, de 1,9%, quanto da expectativa para o Brasil como um todo, estimada em 2%.
Na prática, isso coloca a economia da capital sul-mato-grossense 0,6 ponto percentual acima da previsão para o Estado e 0,5 ponto percentual acima da expectativa nacional. A administração municipal reforça que os números ainda são projeções e dependem do desempenho da economia nos próximos meses, mas a comparação chamou atenção justamente por posicionar Campo Grande à frente da média do país em um ano marcado por juros elevados e maior incerteza inflacionária em todo o Brasil.
Serviços e empregos sustentam a projeção de crescimento
Entre os indicadores que ajudam a compor esse cenário estão a geração de empregos formais, o peso do setor de serviços na economia local, o avanço da construção civil, o crescimento da base empresarial e o desempenho do comércio exterior. Os serviços, principal atividade econômica do município, respondem por 82,4% do Valor Adicionado Bruto (VAB) de Campo Grande e também lideraram a criação de vagas formais no primeiro semestre, com saldo positivo de 2.088 postos de trabalho.
No acumulado de janeiro a junho, a Capital registrou saldo de 3.541 empregos com carteira assinada, o que elevou o estoque para 236.695 vínculos formais na cidade. Esse resultado colocou Campo Grande na quarta colocação nacional entre as capitais brasileiras com menor taxa de desocupação, atrás apenas de Palmas, Vitória e Curitiba, um desempenho que reforça a comparação direta entre a economia da Capital e a média das demais capitais do país. A construção civil também apareceu como destaque, com 1.467 novos postos abertos no período, reflexo de obras em andamento e de investimentos em infraestrutura urbana.
Base empresarial cresce com efeito da Lei de Liberdade Econômica
O número de empresas ativas em Campo Grande chegou a 149.147 até julho, alta de 44,62% em comparação com 2020, sendo que microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte representam 94,55% dos CNPJs ativos no município. Parte desse avanço é atribuída pela Semades aos efeitos da Lei Municipal de Liberdade Econômica, que simplificou a abertura de empresas e reduziu a burocracia para centenas de atividades econômicas na cidade, com o setor de serviços concentrando quase 59% dos estabelecimentos existentes no município.
Apesar do desempenho relativamente positivo no comparativo nacional, o boletim econômico também mostra que Campo Grande ocupa a 16ª posição no ranking de geração proporcional de empregos formais entre as capitais brasileiras, considerando a variação relativa do estoque de trabalhadores. Isso indica que, mesmo com taxa de desemprego baixa, o ritmo de expansão do mercado de trabalho da Capital ainda fica atrás de outras cidades quando o critério observado é o crescimento proporcional, e não o volume absoluto de vagas.
Comércio exterior avança e ajuda a puxar a comparação com o país
O comércio exterior também contribuiu para o cenário positivo em relação à média brasileira. As exportações de Campo Grande somaram 462,47 milhões de dólares no primeiro semestre de 2026, alta de 40,24% em relação ao mesmo período de 2025. O saldo da balança comercial da Capital chegou a 252,23 milhões de dólares, segundo o boletim da Semades, reforçando a posição do município como polo logístico e comercial dentro do estado e ajudando a explicar por que a economia local avança em ritmo superior ao restante do país.
Para o secretário municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Ademar Silva Junior, a projeção de crescimento do PIB precisa ser lida em conjunto com os demais indicadores disponíveis. Segundo ele, a geração de empregos, o crescimento da base empresarial, o fortalecimento do setor de serviços e os avanços no comércio exterior formam, juntos, um retrato mais completo da economia da cidade do que o número isolado do PIB, especialmente diante de um ambiente macroeconômico nacional mais restritivo neste ano.
Números ainda são estimativa e dependem do segundo semestre
Apesar do otimismo da gestão municipal, os dados reunidos no boletim não estabelecem uma relação direta de causa e efeito entre as políticas adotadas pela Prefeitura e a projeção de crescimento de 2,5%. Essa ressalva é importante porque ainda restam meses até o fechamento do ano, e o desempenho da economia nacional, marcado por juros elevados e cautela no crédito, pode influenciar o resultado final tanto em Campo Grande quanto no restante do país.
De todo modo, o conjunto de indicadores apresentado até agora, do mercado de trabalho ao comércio exterior, passando pela expansão da base empresarial, sustenta a expectativa da administração municipal de que a Capital termine 2026 crescendo acima da média nacional, repetindo um movimento que já vinha sendo sinalizado em boletins econômicos anteriores da Semades ao longo do primeiro semestre.
Fontes:
https://correiodoestado.com.br/economia/campo-grande-deve-crescer-acima-da-media-de-ms-e-do-brasil-em-2026/471798/
https://correiodoestado.com.br/economia/campo-grande-tem-a-4a-menor-taxa-de-desemprego/470701/
https://www.aonca.com.br/campo-grande-cresce-em-setor-de-servicos-e-comercio-exterior/










