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Taiza Tosatt Eleoterio analisa a importância do autocuidado emocional para a saúde mental

Taiza Tosatt Eleoterio
Taiza Tosatt Eleoterio

Banho quente, chá à noite, uma caminhada ao ar livre: práticas associadas ao bem-estar aparecem com frequência em conversas sobre autocuidado e, de fato, contribuem para momentos de relaxamento. Taiza Tosatt Eleoterio, especialista em saúde mental e relações familiares, pontua que reduzir o cuidado emocional a esse conjunto de hábitos pode deixar de lado uma dimensão mais profunda do processo, relacionada ao reconhecimento de necessidades internas e à forma como a pessoa se relaciona consigo mesma diante dos desafios do dia a dia.

Compreender essa diferença ajuda a construir uma relação mais consistente com o próprio bem-estar psicológico, especialmente em períodos de maior desgaste emocional. 

Ao longo deste artigo, você vai entender o que sustenta o autocuidado emocional para além das práticas de relaxamento e como reconhecer, no cotidiano, sinais de que essa dimensão está sendo negligenciada.

Por que práticas de relaxamento não substituem a escuta das nossas emoções? 

Práticas de relaxamento oferecem alívio momentâneo, mas não substituem o trabalho contínuo de reconhecer e acolher as próprias emoções. Uma pessoa pode manter uma rotina regular de exercícios físicos ou momentos de lazer e, ainda assim, ignorar sinais importantes de esgotamento emocional presentes em seu cotidiano.

À luz do que pondera Taiza Tosatt Eleoterio, a diferença central está na profundidade da atenção dedicada à própria experiência interna. Enquanto práticas de bem-estar tendem a oferecer distração ou pausa, o autocuidado emocional propriamente dito envolve reconhecer o que está sendo sentido, nomear essas emoções e compreender sua origem, mesmo quando esse processo não é confortável.

A ausência dessa escuta mais profunda pode fazer com que sinais de desgaste emocional se acumulem silenciosamente, apesar da manutenção aparente de hábitos saudáveis. O corpo descansa, mas questões internas permanecem sem espaço para elaboração.

Como o apoio profissional pode ajudar na construção de limites saudáveis? 

Estabelecer limites claros nas relações pessoais e profissionais é outro componente essencial do autocuidado emocional, frequentemente deixado de lado nas discussões sobre bem-estar. Dizer não a demandas excessivas, delimitar espaços de descanso e comunicar necessidades pessoais exigem maior maturidade emocional do que práticas isoladas de relaxamento.

Na interpretação de Taiza Tosatt Eleoterio, a dificuldade em estabelecer limites costuma estar associada a padrões relacionais aprendidos ao longo da vida, nos quais atender às expectativas externas foi priorizado em detrimento das próprias necessidades. Reverter esse padrão exige reconhecimento consciente e, muitas vezes, apoio profissional.

Pessoas que desenvolvem maior clareza sobre seus limites relatam menor desgaste emocional acumulado, já que passam a distribuir energia de forma mais equilibrada entre demandas externas e cuidado pessoal, reduzindo episódios de sobrecarga.

Autopercepção: a chave para evitar padrões prejudiciais nas reações emocionais

Reconhecer o que se sente, em que momento e por qual motivo, exige um grau de autopercepção que nem sempre é desenvolvido de forma espontânea. Muitas pessoas passam grande parte do tempo reagindo a estímulos externos, sem espaço para observar sua própria experiência emocional em profundidade.

Conforme sustenta Taiza Tosatt Eleoterio, essa autopercepção pode ser desenvolvida gradualmente, por meio de práticas de observação interna e, quando necessário, acompanhamento terapêutico. Dois elementos costumam favorecer esse processo de forma mais direta:

  • Observação sem julgamento: registrar o que se sente antes de tentar corrigir ou justificar a emoção, permitindo que ela seja simplesmente reconhecida como parte da experiência vivida naquele momento;
  • Pausa entre o estímulo e a resposta: criar um breve intervalo antes de reagir a uma situação, o que amplia a possibilidade de identificar com mais clareza o que realmente está sendo sentido, em vez de agir apenas por impulso.

Perceber com clareza os próprios sentimentos permite respostas mais adequadas às situações vividas, em vez de reações automáticas construídas a partir de experiências anteriores. A falta de autopercepção, por outro lado, favorece a repetição de padrões prejudiciais, já que a pessoa segue reagindo da mesma forma a diferentes situações sem compreender plenamente o que está por trás dessas reações.

Construindo uma relação mais equilibrada consigo mesmo

O autocuidado emocional, compreendido em sua dimensão mais ampla, representa um processo contínuo de construção de equilíbrio interno, e não uma lista fixa de práticas a serem seguidas. Cada pessoa desenvolve, ao longo do tempo, formas próprias de reconhecer e cuidar de suas necessidades emocionais.

Sob a perspectiva de Taiza Tosatt Eleoterio, esse processo não precisa ser solitário. Espaços terapêuticos, conversas honestas com pessoas de confiança e momentos regulares de reflexão pessoal contribuem para fortalecer essa relação interna, oferecendo suporte ao longo do caminho.

Compreender o autocuidado emocional como processo contínuo, e não como conjunto de hábitos isolados, amplia as possibilidades de bem-estar psicológico duradouro, capaz de sustentar a pessoa diante dos diferentes desafios que a vida cotidiana apresenta.