Solução criada pela BEM Inteligência de Dados, do Parktec CG, usa sensores e inteligência artificial para monitorar consumo e evitar falhas em máquinas
Uma startup de Campo Grande começou a colocar em prática, dentro de 12 indústrias de Mato Grosso do Sul, uma tecnologia voltada ao controle do consumo de energia e à prevenção de falhas em máquinas e equipamentos industriais. A solução é desenvolvida pela BEM Inteligência de Dados, empresa residente no Parque Tecnológico e de Inovação de Campo Grande, o Parktec CG, que integra o projeto Energia Inteligente.
Como a tecnologia funciona na prática
A ferramenta monitora, em tempo real, o consumo de energia, a temperatura e o desempenho de máquinas industriais, organizando os dados captados em painéis virtuais que permitem aos gestores identificar desperdícios, picos de consumo, sobrecargas e alterações no funcionamento dos motores. Entre os destaques da solução está o Blue IoT, um sensor de corrente não invasivo desenvolvido pela própria empresa, que pode ser instalado diretamente no maquinário sem necessidade de interromper a operação da fábrica, o que facilita a adoção da tecnologia em linhas de produção que não podem parar.
Segundo a BEM, a ferramenta já está em uso em setores como alimentos, refrigeração, extrusão de plástico e climatização, atendendo marcas como Dale Sorvetes, Semalo e Bello Alimentos. De acordo com os desenvolvedores, o monitoramento contínuo pode gerar economia de até 20% na conta de energia, variando conforme as características de cada operação, além de ajudar a evitar falhas mecânicas e preservar produtos armazenados em câmaras frias.
Reconhecimento nacional para uma solução criada na Capital
A iniciativa ganhou força depois que a BEM foi selecionada na chamada nacional B+P Smart Factory, promovida pelo Senai em parceria com a Finep, voltada ao fomento de projetos de transformação digital da indústria em áreas como internet das coisas, automação e inteligência artificial. A empresa sul-mato-grossense foi a única representante do Estado entre os 39 projetos aprovados em todo o país, dentro de uma chamada que destinou cerca de R$ 17,8 milhões ao desenvolvimento e à implantação dessas soluções.
Pablo Zucareli e Emanuel Rocha, engenheiros eletricistas e fundadores da BEM, afirmam que a participação no programa nacional permite ampliar a validação da tecnologia dentro da indústria e demonstrar, com dados concretos, que eficiência energética também representa competitividade para as empresas clientes. Segundo eles, o objetivo da startup é ajudar companhias a reduzir desperdícios, antecipar problemas técnicos e tomar decisões mais seguras sobre a operação de suas máquinas.
A empresa surgiu dentro do ambiente científico da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e hoje atua a partir do Parktec CG, buscando ampliar parcerias e acessar novos programas de fomento à inovação. A trajetória da BEM, desde a origem acadêmica até a aplicação prática em fábricas de diferentes setores, ilustra um caminho que tem se tornado mais comum entre empresas de base tecnológica nascidas em universidades da região.
O papel do Parktec CG no ecossistema de inovação da Capital
Para a diretora executiva do parque tecnológico, Adriana Tozzetti, o avanço da BEM mostra a capacidade de Campo Grande de desenvolver soluções tecnológicas com aplicação prática direta no setor produtivo. Segundo ela, a seleção da empresa em uma chamada nacional demonstra que a cidade produz tecnologia com potencial de competir em escala nacional e gerar resultados concretos dentro da indústria, reforçando o papel do parque como elo entre universidades, poder público e iniciativa privada.
Instalado na Avenida Rachid Neder, no bairro Monte Castelo, o Parktec CG abriga atualmente dez empresas de base tecnológica, funcionando como estrutura de apoio para que negócios como a BEM possam acessar fomento, validar suas soluções e conquistar novos mercados a partir da Capital. A presença de startups desse perfil no parque reforça um movimento mais amplo de aproximação entre pesquisa acadêmica, inovação e demanda real do setor produtivo em Mato Grosso do Sul.
Com a validação obtida por meio do programa nacional e a experiência já acumulada em 12 indústrias do Estado, a expectativa da BEM é ampliar o alcance da tecnologia para outros setores e regiões nos próximos meses, consolidando Campo Grande como um dos polos emergentes de inovação aplicada à indústria no Centro-Oeste do país.
Fontes consultadas:
A Crítica de Campo Grande
A Crítica de Campo Grande (matéria complementar)










