Enquanto o governo americano aplicou sobretaxas a uma série de produtos brasileiros, itens estratégicos da economia sul-mato-grossense, como carne bovina, ferro-gusa e celulose, ficaram de fora da lista, em um momento no qual a indústria do Estado bate recorde histórico de vendas externas.
O impacto do tarifaço adicional dos Estados Unidos
A decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional sobre parte das importações vindas do Brasil gerou apreensão entre setores produtivos de diferentes estados, incluindo Mato Grosso do Sul. A preocupação inicial girava em torno de like carnes, ferro-gusa e papel e celulose, produtos que respondem por parcela relevante da pauta de exportação sul-mato-grossense para o mercado americano. Apenas no primeiro semestre de 2026, as vendas de carne bovina do Estado para os Estados Unidos somaram US$ 216,7 milhões, enquanto o ferro-gusa movimentou US$ 75,4 milhões e o segmento de papel e celulose alcançou US$ 59,4 milhões em receita.
Diante desse cenário,擦 o Estado acompanhou de perto as negociações entre os governos brasileiro e americano sobre quais setores efetivamente seriam incluídos na lista de sobretaxas. Segundo relato do gestor estadual Jaime Verruck ao portal Perfil News, o Brasil optou por não ceder em determinados pontos da negociação, o que resultou na aplicação da tarifa sobre outros produtos, mas manteve de fora justamente os itens do agronegócio que mais preocupavam Mato Grosso do Sul. Para ele, essa exclusão representa um resultado favorável à economia estadual, já que setores como o de carnes já vinham enfrentando restrições impostas pela União Europeia e pela China em anos recentes.
Um semestre de recorde para as exportações industriais sul-mato-grossenses
O alívio trazido pela exclusão tarifária ocorre em um momento particularmente positivo para o comércio exterior do Estado. Levantamento do Observatório da Indústria da Fiems, com base em dados do MDIC/Comex Stat, mostra que as exportações industriais de Mato Grosso do Sul somaram US$ 3,83 bilhões no primeiro semestre de 2026, o maior valor já registrado para esse período em toda a série histórica estadual. Apenas em junho, o setor movimentou US$ 806,9 milhões, também um recorde mensal, com crescimento de 17% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Os segmentos de celulose e papel, de um lado, e o complexo frigorífico, de outro, concentraram juntos 76% de toda a receita industrial exportada pelo Estado no período, com cerca de US$ 1,45 bilhão movimentado por cada um desses setores. Entre os produtos que mais aparecem na pauta de vendas externas estão as carnes bovinas desossadas, congeladas e refrigeradas, as pastas químicas de madeira usadas na produção de celulose, além de resíduos e óleo bruto de soja e açúcares derivados da cana. No comparativo entre destinos internacionais, a China segue como principal compradora da indústria sul-mato-grossense, com US$ 1,35 bilhão em importações no semestre, seguida pelos Estados Unidos, com US$ 370,5 milhões, e pela Holanda, com US$ 212,7 milhões.
Diversificação de mercados como estratégia de proteção
Em resposta ao ambiente de instabilidade gerado pelas tarifas americanas, o governo federal, por meio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), anunciou um plano de R$ 130 milhões voltado à diversificação de mercados para exportadores brasileiros. A iniciativa deve atender cerca de 57 setores da economia, reunindo aproximadamente 2,4 mil empresas exportadoras, com foco em mercados prioritários como a União Europeia, países do Sudeste Asiático e da Ásia Central, além de negociações em andamento com Índia, Japão e Canadá.
Segundo a própria ApexBrasil, o processo de diversificação já vinha avançando mesmo antes do agravamento da disputa comercial com os Estados Unidos: entre junho de 2025 e maio de 2026, 72% das empresas apoiadas pela agência passaram a exportar para pelo menos um novo destino internacional. Para estados como Mato Grosso do Sul, fortemente dependentes do agronegócio e da indústria de base florestal e proteica, essa política de diversificação de mercados tende a funcionar como uma espécie de rede de proteção diante de eventuais mudanças na política comercial de parceiros históricos como os Estados Unidos.
O período também é marcado por boas perspectivas para outra commodity central da economia sul-mato-grossense: a soja. Projeções indicam que as exportações brasileiras do grão devem crescer 15% em julho, alcançando 13,7 milhões de toneladas, alta puxada por uma safra forte e por demanda externa aquecida. Mato Grosso do Sul, que figura entre os principais produtores nacionais de soja, tende a se beneficiar diretamente desse movimento, reforçando o papel do setor primário como um dos pilares da economia estadual em meio às incertezas do cenário internacional.
Fontes consultadas:
https://www.perfilnews.com.br/2026/07/16/eua-verruck-destaca-produtos-exportados-por-ms-e-isentos-da-sobretaxa/
https://www.diariodigital.com.br/economia/exportacoes-industriais-de-ms-alcancam-marca-historica-em-2026
https://www.agoramt.com.br/2026/07/apex-preve-plano-de-r-130-milhoes-para-diversificar-exportacoes/
https://www.rcn67.com.br/economia/exportacao-soja-mato-grosso-do-sul-agro










