Pesquisa do IBGE aponta que 43,5% dos estudantes da Capital já experimentaram cigarro eletrônico, enquanto debate sobre restrições avança no Congresso.
Campo Grande aparece entre as capitais brasileiras com maior proporção de estudantes que afirmam já ter experimentado cigarros eletrônicos, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento aponta que 43,5% dos estudantes da Capital declararam ter tido contato com vapes ou dispositivos semelhantes, percentual que coloca o município tecnicamente próximo de Brasília, que registrou 43,7%.
O dado chama atenção porque a pesquisa mede a experimentação dos dispositivos e não significa que todos os estudantes entrevistados sejam usuários frequentes. Ainda assim, o resultado coloca o uso desses produtos entre adolescentes como uma questão relevante para escolas, famílias e políticas públicas de saúde.
Em Mato Grosso do Sul, o percentual também está entre os mais altos do país. Entre estudantes de 13 a 17 anos, 35,9% disseram já ter experimentado cigarro eletrônico, segundo os dados da PeNSE 2024. No cenário nacional, a proporção passou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024. (Campo Grande News)
O que os números da PeNSE mostram sobre os estudantes de Campo Grande
Os dados da pesquisa ajudam a dimensionar a presença dos cigarros eletrônicos entre adolescentes da Capital. Com 43,5% de experimentação, Campo Grande aparece na segunda posição entre as capitais nesse indicador, praticamente empatada com Brasília, que alcançou 43,7%.
É importante interpretar corretamente esse resultado. A PeNSE considera o estudante que declarou já ter experimentado o dispositivo, portanto o percentual não representa necessariamente pessoas que fazem uso contínuo de vape. Mesmo assim, a taxa revela que uma parcela expressiva dos adolescentes entrevistados já teve contato com esse tipo de produto. (Campo Grande News)
O cenário estadual acompanha essa tendência. Mato Grosso do Sul registrou 35,9% entre estudantes de 13 a 17 anos, ficando atrás de Mato Grosso, que apresentou 36,7%. Paraná e Distrito Federal também registraram 35,9% nesse recorte.
No Brasil, o crescimento foi significativo entre as duas edições comparáveis da pesquisa. A proporção de estudantes de 13 a 17 anos que disseram já ter experimentado cigarro eletrônico passou de 16,8%, em 2019, para 29,6%, em 2024, aumento de 12,8 pontos percentuais em cinco anos. (Campo Grande News)
Por que o vape preocupa escolas e famílias em Campo Grande
A circulação dos dispositivos entre adolescentes também aparece em registros de fiscalização realizados em Mato Grosso do Sul. Conforme dados citados pelo Campo Grande News, operações realizadas em Campo Grande e Três Lagoas apreenderam mais de 2,6 mil cigarros eletrônicos e cerca de 700 essências durante 2024.
Nas escolas estaduais da Capital, o programa Ronda Escolar da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul registrou aproximadamente 300 cigarros eletrônicos apreendidos em 78 unidades durante o ano letivo de 2024. Os números mostram que o contato dos adolescentes com esses produtos não está restrito a ambientes externos e também alcança o cotidiano escolar. (Campo Grande News)
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul mantém ainda iniciativas de prevenção voltadas ao público escolar. O programa Protagonismo Juvenil na Prevenção inclui estudantes do ensino fundamental, médio, superior e da Educação de Jovens e Adultos, além de desenvolver ações de conscientização sobre os riscos relacionados ao cigarro eletrônico e outras drogas. (SejusP)
Para famílias e escolas, os dados reforçam a importância de diferenciar experimentação, uso ocasional e consumo frequente. Essa distinção é necessária para compreender corretamente os números e também para orientar ações de prevenção que considerem informação, acompanhamento e educação em saúde.
O que muda com o debate sobre cigarros eletrônicos no Brasil
O cenário de Campo Grande também ocorre enquanto o Congresso Nacional discute novas regras para os dispositivos eletrônicos para fumar. O Projeto de Lei 2005/2026, apresentado na Câmara dos Deputados, propõe transformar em legislação federal uma série de restrições relacionadas à fabricação, importação, comercialização, transporte, armazenamento e propaganda de cigarros eletrônicos, vapes e pods.
O texto também prevê regras relacionadas ao uso desses aparelhos em ambientes coletivos fechados e estabelece medidas envolvendo publicidade, vendas e divulgação pela internet. A proposta ainda está em fase inicial de tramitação e precisa passar por diferentes comissões antes de eventual votação no plenário. (Campo Grande News)
Atualmente, a comercialização dos cigarros eletrônicos já é proibida no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O debate legislativo, portanto, ocorre sobre a transformação e ampliação de determinadas restrições em lei federal, além de mecanismos adicionais de fiscalização e responsabilização.
Para Campo Grande, os números da PeNSE colocam o tema dentro da realidade local. A combinação entre a alta proporção de estudantes que relatam experimentação e os registros de apreensões em escolas mostra por que o assunto envolve não apenas legislação nacional, mas também ações de prevenção e orientação no município.
Os dados também ajudam a contextualizar o desafio para as políticas públicas. Em vez de interpretar os 43,5% como uma taxa de consumo regular, é necessário considerar que o indicador mede se o estudante já experimentou o produto. Ainda assim, a dimensão do contato com os dispositivos entre adolescentes torna o tema relevante para saúde, educação, famílias e autoridades locais.
Campo Grande, portanto, aparece no debate nacional sobre cigarros eletrônicos a partir de um indicador específico da PeNSE 2024. O percentual de 43,5% de experimentação entre estudantes coloca a Capital entre os municípios com maior resultado nesse recorte, enquanto Mato Grosso do Sul também apresenta índice elevado entre adolescentes de 13 a 17 anos. (Campo Grande News)
A discussão sobre os vapes deve continuar envolvendo informação sobre os dados, prevenção nas escolas e acompanhamento das medidas regulatórias. Para os moradores da Capital, acompanhar esses números ajuda a compreender como um fenômeno nacional também se manifesta no cotidiano de estudantes de Campo Grande.
Fontes principais: Campo Grande News – dados sobre vape entre estudantes · SEJUSP-MS – programa de prevenção entre jovens










