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As apostas eleitorais de 2026 em MS vão muito além da polarização: veja o que realmente está em jogo

Celulose, Pantanal, Rota Bioceânica e questão indígena moldam a disputa por governo e senado em Mato Grosso do Sul, onde o debate vai além da batalha entre Lula e Bolsonaro

Faltam poucos meses para o início formal da corrida eleitoral em Mato Grosso do Sul e o cenário que se desenha em 2026 é diferente das últimas disputas. Não que a polarização nacional esteja ausente, mas o estado tem peculiaridades econômicas e sociais que forçam candidatos a falar de coisas muito concretas: infraestrutura logística, impactos das plantas de celulose em municípios pequenos, preservação do Pantanal, questão indígena e a chegada de uma via que pode ligar o Centro-Oeste ao Pacífico. Para analistas e observadores do cenário político sul-mato-grossense, quem quiser governar o estado terá de apresentar respostas sólidas para temas que vão bem além do discurso ideológico de campanha.

O governador Eduardo Riedel (PP) aparece como favorito à reeleição nas primeiras pesquisas divulgadas em 2026. Ele chega ao pré-processo eleitoral sustentado pelo apoio do grupo político que controla o estado há mais de uma década e com forte ligação ao agronegócio. Do lado oposto, o PT tenta ampliar espaço com o nome do advogado e ex-deputado federal Fábio Trad, que recebeu apoio do presidente Lula e se filia ao partido após carreira como presidente da OAB-MS. A disputa pelo Senado, por sua vez, envolve nomes como o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), com 22,3% nas primeiras pesquisas do Ibrape, e o Capitão Contar (PL), que mantém força na base bolsonarista.

O agronegócio e a celulose: dois motores que cobram preço de campanha

O agronegócio sempre foi o coração da política sul-mato-grossense. Lideranças como Reinaldo Azambuja, Eduardo Riedel e Tereza Cristina construíram trajetórias diretamente associadas ao setor produtivo rural. MS registrou US$ 1,43 bilhão em exportações no acumulado até fevereiro de 2026, com superávit de US$ 902,38 milhões na balança comercial, segundo dados da Semadesc. A celulose lidera as exportações estaduais com 32,31% de participação, seguida pela carne bovina com 22,2% e pela soja com 13,79%. Esse peso econômico se traduz em demandas políticas muito específicas: rodovias para escoamento da produção, licenciamento ambiental ágil, segurança jurídica para o campo e energia competitiva.

Ao mesmo tempo, a expansão acelerada das plantas de celulose criou um problema novo: municípios como Inocência, Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas cresceram em ritmo acelerado, mas enfrentam dificuldades sérias para acompanhar a demanda por moradia, saneamento, saúde e mobilidade. O candidato ao governo que não tiver um plano para organizar esse crescimento desordenado deverá pagar o preço nas urnas. Segundo análise publicada pelo ND Mais, a disputa de 2026 será também “um debate sobre o modelo de desenvolvimento de Mato Grosso do Sul”, com o setor de celulose projetando até quatro novos empreendimentos até 2032 e potencial para gerar quase 100 mil empregos diretos e indiretos.

Pantanal, indígenas e Rota Bioceânica: temas que ultrapassam fronteiras

Além do agronegócio, três temas devem ocupar espaço central na campanha com alcance que vai além do estado. O Pantanal continua sendo uma ferida política aberta. As queimadas recordes dos últimos anos transformaram o bioma em pauta de cobrança permanente para governos e candidatos. Em 2024, milhões de hectares foram atingidos pelo fogo, com impactos sobre a biodiversidade, o turismo e a economia regional. Qualquer candidato ao governo precisará apresentar um plano crível de preservação ambiental que convença tanto o eleitorado urbano quanto os setores rurais que dependem do bioma para o agropastoril.

A questão indígena, por sua vez, historicamente divide posições em MS, que tem uma das maiores populações indígenas do país. Os conflitos fundiários envolvendo povos como os Guarani-Kaiowá e Terena costumam provocar repercussões nacionais e dividir o Congresso. A alta taxa de feminicídios e a segurança em uma das maiores fronteiras secas do Brasil fecham um cardápio de desafios que mostram por que a eleição de 2026 em MS não se resume a um referendum sobre o presidente Lula. Já a Rota Bioceânica, que ligará o Centro-Oeste brasileiro ao norte do Chile passando por Paraguai e Argentina, chega ao momento eleitoral em fase de execução avançada e deve ser um dos mais disputados ativos de campanha para quem quiser mostrar capacidade de inserção internacional.

Fontes: ND Mais | ND Mais | ND Mais

Autor: Diego Rodríguez Velázquez