Mato Grosso do Sul ocupa o 5º lugar no ranking nacional de remuneração formal, mas os dados escondem um detalhe que todo trabalhador deveria conhecer
Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira, 25 de junho, pelo IBGE revelou que o trabalhador assalariado formal de Mato Grosso do Sul recebe, em média, R$ 3.798,16 por mês. O levantamento faz parte do relatório CEMPRE (Estatísticas do Cadastro Central de Empresas) e posiciona o estado como o quinto que melhor remunera no país, superando todos os estados do Norte e do Nordeste e também os vizinhos Mato Grosso e Goiás. É um resultado que orgulha, mas que, quando colocado ao lado da média nacional, revela uma folga menor do que parece: o trabalhador médio de MS recebe cerca de R$ 134 abaixo da média do Brasil, que ficou em R$ 3.932,45.
Para o campo-grandense e o sul-mato-grossense que vive com a carteira assinada, os dados trazem um retrato nuançado da realidade. O estado ocupa posição de destaque no Centro-Oeste, ficando atrás apenas do Distrito Federal, que lidera o ranking nacional com R$ 6.845,13. Na sequência vêm Rio de Janeiro e São Paulo, ambos no Sudeste, e Santa Catarina, no Sul. A distância entre o primeiro e o quinto colocados é expressiva, mas o fato de MS estar entre os cinco primeiros reflete a força do agronegócio, da indústria da celulose e do mercado de serviços formal que cresceu nos últimos anos na capital e no interior.
O que explica o bom desempenho de MS no ranking salarial
Mato Grosso do Sul não chegou ao quinto lugar por acaso. O estado vive, desde os últimos anos, uma expansão econômica impulsionada principalmente pelo agronegócio de alta tecnologia e pela chegada da indústria da celulose, que transformou municípios como Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo e Inocência em polos de atração de trabalhadores qualificados. Essa combinação de pecuária, grãos e agroindústria de celulose cria demanda por profissionais com formação técnica e superior, o que eleva a média salarial do estado como um todo.
Campo Grande, por sua vez, concentra boa parte dos empregos formais do setor de serviços, saúde, educação e comércio. A presença de universidades como a UFMS e a UCDB, associada ao crescimento do comércio especializado e de serviços financeiros na capital, contribui para manter o mercado de trabalho aquecido. Além disso, o aquecimento nacional do mercado de trabalho no primeiro trimestre de 2026 impactou positivamente o estado. Segundo dados da Pnad Contínua, o rendimento médio mensal do trabalhador brasileiro atingiu R$ 3.722 no primeiro trimestre de 2026, alta real de 5,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionada pelo reajuste do salário mínimo para R$ 1.621 e pelo desempenho do comércio e da administração pública.
O que o ranking não conta e o trabalhador precisa saber
Apesar da posição privilegiada no ranking nacional, é importante compreender o que os números do CEMPRE incluem e o que deixam de fora. A pesquisa considera apenas trabalhadores com vínculo empregatício formal em empresas privadas regularmente constituídas, o que exclui trabalhadores informais, autônomos e servidores públicos estatutários. No Brasil, a informalidade ainda responde por parcela significativa do mercado de trabalho, especialmente em estados fora do Sul e Sudeste. Em Mato Grosso do Sul, onde o agronegócio movimenta parte considerável da economia, há trabalhadores do campo cujos vínculos nem sempre aparecem nos registros formais com a regularidade necessária para integrar o CEMPRE.
O resultado de MS também esconde desigualdades internas. Campo Grande concentra os empregos de maior remuneração no setor de serviços, enquanto municípios menores, mesmo em expansão, ainda lidam com médias salariais abaixo da capital. Segundo a pesquisa, o menor salário médio registrado em todo o Brasil foi o de Alagoas, com R$ 2.720,88, valor que representa 71,6% da remuneração praticada em MS. A comparação ajuda a relativizar tanto o destaque do estado quanto os desafios que ainda existem para reduzir as desigualdades dentro do próprio território sul-mato-grossense.
O que o dado revela sobre a economia de Campo Grande
Para o morador de Campo Grande, o ranking do IBGE é um termômetro útil, mas não suficiente para medir a qualidade de vida. Em 2025, a capital registrou o quinto maior custo de cesta básica do país, o que coloca em perspectiva a questão do poder de compra real. Ganhar mais que a média nacional não significa necessariamente que o orçamento familiar feche com folga, especialmente em um contexto de inflação ainda presente nos itens de consumo básico. O dado reforça a necessidade de políticas de formalização do trabalho, valorização do salário mínimo e diversificação econômica que vá além dos ciclos do agronegócio.
De qualquer forma, a chegada de MS ao grupo dos cinco estados que mais remuneram no país é um marco que reflete o crescimento estrutural da economia local ao longo da última década. O desafio, agora, é garantir que essa riqueza gerada pelo campo e pela indústria alcance cada vez mais trabalhadores com carteira assinada e condições de vida dignas em toda a extensão do estado.
Fontes: Campo Grande News | ND Mais | Capital News | IBGE/CEMPRE
Autor: Diego Rodríguez Velázquez










