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Barracas de Anhanduí podem virar patrimônio cultural de Campo Grande; entenda o que pode mudar

Projeto chega à Câmara em meio ao temor de comerciantes sobre impactos da duplicação da BR-163 e busca preservar atividade tradicional do distrito.

As tradicionais barracas instaladas às margens da BR-163, no distrito de Anhanduí, podem ser oficialmente reconhecidas como patrimônio cultural de Campo Grande. O projeto está pautado para votação na Câmara Municipal nesta terça-feira, 11 de agosto, e ganhou destaque no noticiário político da capital neste dia 10. A proposta busca proteger uma atividade comercial que faz parte da rotina da região há décadas e que se tornou conhecida entre moradores, caminhoneiros e viajantes que passam pela rodovia. (Campo Grande News)

A discussão ganhou ainda mais importância por causa das obras e dos planos de duplicação da BR-163. Comerciantes temem que alterações na rodovia provoquem a retirada ou transferência das estruturas atualmente instaladas às suas margens. Segundo levantamento publicado após audiência realizada em fevereiro, existem 43 barracas no local, responsáveis pela comercialização de produtos como pimentas, doces artesanais, queijos, salames, leite, milho verde e feijão-de-corda. (Campo Grande News)

Por que as barracas de Anhanduí podem se tornar patrimônio cultural

A proposta foi apresentada pelo vereador André Salineiro e busca reconhecer oficialmente as barracas tradicionais localizadas às margens da BR-163 como patrimônio cultural do município. A Câmara Municipal confirmou que o projeto está entre as propostas pautadas para votação na sessão desta terça-feira. (Câmara do MS) O reconhecimento procura preservar não somente as estruturas físicas, mas principalmente a atividade econômica e cultural desenvolvida no local ao longo de décadas.

As barracas se transformaram em um ponto conhecido para quem trafega pela rodovia. Produtos artesanais e alimentos produzidos na região ajudam a criar uma identidade própria para o distrito e funcionam como uma ligação entre pequenos produtores, comerciantes e consumidores. Para viajantes, parar em Anhanduí pode significar comprar alimentos regionais; para quem vive no distrito, as mesmas estruturas representam trabalho e circulação de renda dentro da comunidade.

A proposta ganhou força porque o comércio local possui aproximadamente quatro décadas de história. Durante audiência pública realizada em fevereiro, moradores e comerciantes defenderam que a atividade já está incorporada à identidade de Anhanduí. Cerca de 150 pessoas participaram daquela discussão, incluindo barraqueiros, familiares e fornecedores, demonstrando que o impacto econômico ultrapassa os proprietários dos pontos de venda. (Campo Grande News)

Duplicação da BR-163 aumentou preocupação entre comerciantes

O debate sobre preservação ganhou urgência com a perspectiva de duplicação da BR-163. Comerciantes relataram preocupação de que as intervenções possam exigir mudanças na localização das barracas. Representantes de uma empresa terceirizada da concessionária responsável pela rodovia chegaram a realizar levantamento sobre quantidade de estabelecimentos, trabalhadores, produtos comercializados e possíveis impactos de um deslocamento. Segundo os relatos reunidos em audiência, entretanto, naquele momento não havia decisão oficial sobre uma retirada temporária ou definitiva. (Campo Grande News)

Para as famílias que dependem das vendas, a preocupação é econômica. A atividade envolve não somente os comerciantes instalados às margens da rodovia, mas também produtores que fornecem alimentos vendidos nesses estabelecimentos. Um pequeno agricultor ouvido durante a audiência, por exemplo, relatou fornecer produtos como amendoim, milho verde, pimenta e feijão-de-corda aos barraqueiros. (Campo Grande News) Isso demonstra como os pontos comerciais formaram uma pequena cadeia econômica dentro do distrito.

A situação também apresenta um desafio para o poder público. A duplicação de uma rodovia pode melhorar segurança, capacidade de tráfego e logística, mas intervenções dessa dimensão frequentemente exigem reorganização de acessos e ocupações existentes. No caso de Anhanduí, o debate será encontrar uma maneira de conciliar a modernização da BR-163 com a preservação de uma atividade que se tornou importante para a renda e a identidade da comunidade.

O tombamento garante que as barracas continuarão no mesmo lugar?

O reconhecimento como patrimônio cultural reforçaria juridicamente e institucionalmente a importância das barracas para Campo Grande, mas não deve ser interpretado automaticamente como garantia de que nenhuma mudança física poderá ocorrer no futuro. Questões relacionadas à segurança rodoviária, faixa de domínio, acessos e execução das obras precisam ser consideradas pelas autoridades e pela concessionária. O objetivo central do projeto é impedir que a importância histórica, cultural e econômica da atividade seja ignorada durante esse processo.

A própria discussão realizada anteriormente apontou a preservação como uma forma de fortalecer a posição dos comerciantes caso seja necessário negociar alternativas. Uma eventual reorganização do espaço precisaria considerar a continuidade da atividade econômica e o vínculo construído entre as barracas e os usuários da BR-163. Para os moradores, portanto, a preocupação não está apenas em conservar construções, mas em preservar trabalho, fornecedores e um ponto tradicional de parada no distrito. (Campo Grande News)

Outro fator é o potencial turístico. Produtos artesanais e estabelecimentos tradicionais de estrada podem funcionar como referências gastronômicas e culturais de uma região, especialmente quando possuem história consolidada. Se houver planejamento adequado, o reconhecimento patrimonial pode ajudar a divulgar Anhanduí e estimular iniciativas de valorização dos produtores locais, tornando as barracas parte de uma estratégia mais ampla de identidade e desenvolvimento econômico.

A votação prevista para esta terça-feira será, portanto, uma etapa importante de uma discussão iniciada meses atrás. A Câmara Municipal já havia promovido debates sobre o assunto, enquanto comerciantes passaram a cobrar garantias diante das possíveis mudanças provocadas pela duplicação da rodovia. (Câmara do MS) A eventual aprovação do projeto ampliará o reconhecimento institucional das barracas, mas ainda será necessário acompanhar como essa proteção será conciliada com as intervenções previstas para a BR-163.

Para quem vive em Anhanduí, o resultado possui consequências que vão além do simbolismo cultural. As barracas representam renda para famílias, mercado para pequenos produtores e uma atividade conhecida por quem utiliza uma das principais rodovias de Mato Grosso do Sul. A votação deverá mostrar até onde Campo Grande pretende avançar na proteção dessa tradição e abrir uma nova fase de diálogo sobre o futuro dos comerciantes diante das mudanças previstas na rodovia.

Os próximos passos dependerão da decisão dos vereadores e, posteriormente, das medidas necessárias para colocar o reconhecimento em prática. Ao mesmo tempo, moradores deverão acompanhar o avanço da duplicação da BR-163 e eventuais definições sobre acessos e localização dos estabelecimentos. O desafio será fazer com que modernização da infraestrutura e preservação da identidade de Anhanduí avancem juntas, sem eliminar uma atividade econômica construída por famílias da região ao longo de aproximadamente quatro décadas.