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Governança de dados e tecnologia: como estruturar informações para gerar valor?

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira

Governança costuma soar como sinônimo de burocracia: mais formulário, mais aprovação, mais gente para autorizar o que já deveria estar disponível. Essa imagem explica por que tantas empresas adiam o tema, tratando-o como projeto de compliance a ser resolvido quando sobrar tempo, algo que raramente acontece em meio à rotina de entregas.

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, CTO, considera que, na prática, o oposto costuma acontecer. Empresas sem regras claras sobre seus dados não ficam mais ágeis, ficam mais lentas, porque cada decisão exige reconciliar números que deveriam ser óbvios antes mesmo de começar qualquer discussão. Entender essa inversão muda a forma como o tema é tratado dentro da organização.

O mito de que governança de dados trava a operação

A resistência à governança nasce de uma experiência real: muitos programas do tipo realmente nasceram engessados, pensados só para satisfazer auditoria e cumprir tabela de conformidade. Esse histórico ajudou a fixar a ideia de que regra sobre dado é sinônimo de lentidão, mesmo quando o problema nunca esteve na existência da regra, e sim em como ela foi desenhada.

O problema é confundir governança malfeita com governança em si. Um programa bem desenhado não pergunta se algo pode ser feito, e sim como pode ser feito com segurança e rastreabilidade. A diferença entre travar e habilitar está inteira no desenho, não no conceito, e é exatamente esse ponto que separa empresas que evoluem com controle das que apenas acumulam regras sem uso prático.

O que muda quando a informação tem dono e critério claro

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, diretor de tecnologia, indica que o primeiro efeito prático de uma governança bem estruturada é simples de perceber: cada dado passa a ter um responsável, um critério de qualidade e uma regra de acesso conhecida por todos. Isso parece pouco, mas elimina boa parte das discordâncias entre áreas sobre qual número está certo.

Sem essa definição, o cadastro de um cliente pode existir de três formas diferentes em três sistemas, e ninguém sabe qual delas é a verdadeira. Com dono e critério estabelecidos, a dúvida sobre qual versão confiar deixa de existir antes mesmo de a pergunta ser feita, e áreas diferentes passam a trabalhar sobre a mesma base sem precisar validar tudo de novo a cada relatório.

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira

Como a governança sustenta decisões melhores?

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, especialista em tecnologia, software e inteligência artificial, observa que o valor da governança aparece quando ela deixa de ser vista como controle e passa a ser tratada como serviço para quem usa o dado no dia a dia. Um catálogo bem mantido, por exemplo, permite que qualquer área encontre a informação certa sem depender de perguntar para a TI onde ela está guardada.

O ganho se acumula com o tempo: menos retrabalho reconciliando planilhas, menos risco de decisão tomada sobre número desatualizado e mais velocidade para lançar projetos de análise, já que a base sobre a qual eles são construídos já nasce confiável. Times de dados deixam de gastar as primeiras semanas de qualquer projeto apenas arrumando o que já deveria estar organizado.

Governança não é projeto, é rotina

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, CTO, revela que o erro mais comum é tratar a governança como iniciativa com data de término, quando, na prática, ela precisa acompanhar o ritmo em que novos dados e sistemas entram na empresa. Um programa que para de evoluir perde relevância tão rápido quanto um catálogo que nunca é atualizado.

Empresas que sustentam essa rotina no longo prazo colhem algo além de conformidade: ganham confiança sobre os próprios números, e essa confiança é o que sustenta qualquer decisão relevante tomada a partir deles. É esse acúmulo silencioso, mais do que qualquer ferramenta isolada, que separa organizações capazes de escalar com segurança das que seguem apagando incêndio a cada novo sistema colocado no ar.