O empresário Alfredo Moreira Filho, especializado em gestão empresarial, comenta que a polinização é um exemplo de serviço da natureza que raramente aparece nas planilhas do produtor, embora tenha impacto direto sobre a colheita e a renda no campo. Quando se fala em produtividade agrícola, a atenção geralmente se volta para sementes, fertilizantes e máquinas, mas parte importante do resultado depende de pequenos insetos que trabalham silenciosamente nas lavouras.
Abelhas e outros polinizadores transportam o pólen entre as flores, permitindo a formação de frutos e sementes. No Brasil, esse trabalho sustenta uma parcela expressiva das culturas agrícolas, das frutas às oleaginosas. Entenda, nos tópicos a seguir, a dimensão desse serviço, as ameaças que ele enfrenta e o que pode ser feito para protegê-lo.
Um serviço que vale bilhões
Avaliações internacionais conduzidas por painéis científicos ligados às Nações Unidas indicam que mais de três quartos dos principais tipos de cultivos alimentares do mundo se beneficiam, em algum grau, da polinização feita por animais. Entre elas estão frutas, hortaliças, oleaginosas e plantas usadas na produção de café e cacau.
No Brasil, um relatório da Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos estimou que cerca de 60% das plantas cultivadas analisadas dependem de polinizadores em alguma medida, com valor econômico calculado em torno de R$ 43 bilhões por ano. Como observa Alfredo Moreira, números assim mostram que a conservação de polinizadores também é uma questão de resultado econômico.
Abelhas nativas e abelhas de criação
A abelha mais conhecida é a Apis mellifera, criada para produção de mel e também alugada por produtores para polinizar lavouras. Em regiões produtoras de melão no Nordeste e de maçã no Sul, por exemplo, colmeias são levadas às plantações durante a floração para aumentar a formação de frutos.

O Brasil, porém, abriga uma enorme diversidade de abelhas nativas, incluindo centenas de espécies de abelhas sem ferrão, como a jataí e a uruçu. Muitas delas são polinizadoras eficientes de plantas nativas e cultivadas, e sua criação, conhecida como meliponicultura, vem ganhando espaço como fonte complementar de renda. Na percepção de Alfredo Moreira Filho, valorizar essa diversidade é uma forma de transformar um recurso natural em oportunidade econômica.
As ameaças aos polinizadores
Pesquisadores apontam diversos fatores que colocam os polinizadores em risco. A perda de vegetação nativa reduz os locais de abrigo e as fontes de alimento das abelhas ao longo do ano. O uso inadequado de defensivos agrícolas, especialmente durante a floração ou em horários de maior atividade dos insetos, pode causar mortes em grande escala.
As mudanças climáticas também preocupam, porque podem alterar o período de floração das plantas e afetar a sincronia entre flores e polinizadores. Doenças e parasitas completam o quadro. Em linha com o que expõe Alfredo Moreira, a combinação desses riscos exige atenção de produtores, empresas e órgãos de pesquisa, já que a perda de polinizadores pode se refletir em colheitas menores.
Práticas que protegem as abelhas e a lavoura
Algumas medidas simples ajudam a reduzir os impactos. Manter áreas de vegetação nativa próximas às lavouras oferece abrigo e alimento aos polinizadores. Planejar a aplicação de defensivos, evitando a floração e os horários de maior movimento das abelhas, e comunicar os apicultores vizinhos antes das aplicações também fazem diferença.
Outra estratégia é diversificar os cultivos e plantar espécies que florescem em épocas diferentes, garantindo alimento ao longo do ano. Programas de pesquisa e certificação vêm incentivando essas práticas como parte de uma agricultura mais sustentável. Como pontua Alfredo Moreira Filho, proteger os polinizadores é um investimento de longo prazo que beneficia o meio ambiente e a própria produtividade das propriedades.










