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Chuvas de setembro deixam ruas de Campo Grande tomadas por buracos e transtornos

Sequência de temporais agrava malha viária da Capital e already supera o volume de chuva esperado para o mês inteiro

A sequência de chuvas que atinge Campo Grande desde o início de setembro tem deixado marcas visíveis no asfalto da cidade. Avenidas de grande movimento e ruas de bairro amanhecem com crateras novas quase todos os dias, e moradores já relatam prejuízos financeiros e situações de risco no trânsito. O quadro se agravou depois do forte temporal de quinta-feira (10), quando ventos de mais de 85 km/h e uma quantidade expressiva de chuva atingiram diferentes regiões da capital sul-mato-grossense, e ganhou força com novos episódios de chuva registrados nos dias seguintes.

Sete frentes de trabalho tentam conter o problema

A Prefeitura de Campo Grande, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), mantém sete frentes simultâneas de tapa-buracos para tentar recuperar os trechos mais danificados. Segundo a pasta, um levantamento dos pontos críticos foi feito logo após os primeiros temporais, e o atendimento está concentrado, neste primeiro momento, nas vias de maior fluxo de veículos.

Entre as avenidas que recebem prioridade nos reparos estão a Gury Marques, a Mascarenhas de Moraes, a Presidente Vargas e a Tyrson de Almeida. De acordo com a secretaria, depois de concluídos os trabalhos nessas vias principais, as equipes devem avançar para as ruas de bairros, onde moradores também relatam problemas antigos que pioraram com o mau tempo.

A estratégia busca equilibrar a urgência dos reparos com a limitação natural de equipes durante um período de chuvas contínuas, já que o asfalto recém remendado pode voltar a se deteriorar rapidamente quando exposto à água em excesso. Por isso, parte do trabalho da Sisep também envolve reavaliar, dia após dia, quais pontos exigem intervenção imediata.

Moradores relatam prejuízos e acidentes

O aumento dos buracos já provocou pelo menos um acidente registrado nos últimos dias. Na Avenida Nove, no bairro Nova Campo Grande, a auxiliar Juseli dos Santos Acosta, de 40 anos, caiu da moto ao tentar desviar de uma cratera enquanto buscava insulina para a mãe. Segundo ela, não havia tempo suficiente para reagir ao obstáculo. Juseli foi atendida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada a uma unidade de pronto atendimento.

Moradores da região também relatam prejuízos recorrentes. A vice-presidente da associação de moradores da Nova Campo Grande, Fábia Britez, de 51 anos, afirma que os problemas na Avenida Nove já existem há meses e que reparos anteriores não resolveram a situação de forma duradoura. Segundo ela, existem hoje entre 30 e 40 pontos danificados ao longo da via, o que obriga muitos condutores a buscar rotas alternativas.

Relatos semelhantes vêm de outras regiões da cidade. No Três Barras, a comerciante Ethele Garcia Ruiz, de 56 anos, conta que precisou trocar duas rodas do próprio carro depois de passar por um buraco que já existia antes das chuvas e cresceu com os temporais mais recentes. Já no Coophatrabalho, moradores da Rua Quinheira relatam que o trecho, degradado há mais de três meses, se transformou em um caminho de terra com pedras soltas depois da última semana de chuva.

Setembro já supera a chuva esperada para o mês inteiro

O agravamento da malha viária coincide com um mês de setembro historicamente chuvoso na capital. Segundo o meteorologista Natálio Abrão, da Uniderp (Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal), Campo Grande já havia acumulado 102,2 milímetros de chuva até o domingo (13), volume que supera em cerca de 16% os 88 milímetros normalmente esperados para todo o mês e fica aproximadamente 38% acima da média histórica de 73,9 milímetros.

Esse acúmulo cresceu de forma expressiva depois do temporal de quinta-feira, seguido por novos registros de chuva na sexta, no sábado e no domingo. O Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) projeta ainda uma probabilidade maior de chuva acima da média para o trimestre que reúne setembro, outubro e novembro em todo o estado, o que sugere que a pressão sobre ruas e avenidas deve continuar nas próximas semanas.

Diante desse cenário, a expectativa da população é que a Prefeitura consiga ampliar o ritmo dos reparos assim que as condições climáticas permitirem, evitando que os buracos identificados hoje se transformem em problemas estruturais mais graves para o pavimento da cidade.

Fontes:
Campo Grande News