Tecnologia

Tecnologia permite operar colheitadeira florestal a 350 km de distância em Mato Grosso do Sul

Projeto da Suzano com Komatsu e S4E Tech é considerado a primeira teleoperação real de uma harvester no setor florestal brasileiro e já colheu 12 mil árvores no estado

Uma máquina de colheita florestal passou a ser operada a até 350 quilômetros de distância da área de trabalho em um projeto piloto conduzido em Mato Grosso do Sul. A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Suzano, a fabricante de máquinas Komatsu e a empresa de tecnologia S4E Tech. Segundo as companhias envolvidas, trata-se da primeira operação real de uma harvester teleoperada no setor florestal brasileiro.

O projeto já permitiu o corte de 12 mil árvores em uma área equivalente a cerca de 12 campos de futebol. A experiência foi conduzida em unidades florestais da Suzano no estado, com apoio técnico das duas empresas parceiras. O resultado é apontado pela companhia como um marco para a modernização das operações florestais em território nacional.

Como funciona a teleoperação da harvester

Os comandos da máquina partem da torre de controle florestal da unidade da Suzano em Ribas do Rio Pardo, cidade a 98 quilômetros de Campo Grande. Em vez de permanecer dentro da cabine do equipamento, como ocorre no modelo tradicional de colheita, o profissional passa a trabalhar em uma estação remota. Essa estação reproduz fielmente os controles da harvester e recebe imagens em tempo real por meio de câmeras instaladas na máquina.

A operadora Beatriz Carolina Gonçalves foi uma das profissionais responsáveis pela colheita remota durante os testes realizados até agora. O trabalho dela ilustra a mudança prática que a tecnologia representa: em vez de operar o equipamento fisicamente no meio da floresta, a atividade passa a ser conduzida de um ambiente controlado, com monitoramento constante por vídeo.

Um dos principais desafios técnicos do projeto foi manter a comunicação estável com equipamentos que atuam em áreas sem infraestrutura convencional de telecomunicações. Essas máquinas também mudam constantemente de localização conforme avança a colheita, o que exige uma solução de conectividade flexível e resistente a falhas.

A solução encontrada envolveu conexão via satélite, com um sistema que interrompe automaticamente a operação em caso de falha de sinal. Esse mecanismo de segurança garante que a máquina não continue funcionando sem supervisão remota, mesmo quando está fora do alcance de redes terrestres de internet ou telefonia.

Testes começaram em abril e têm alcance internacional

A primeira etapa do projeto começou em abril de 2026 e envolveu, além da harvester, uma grua utilizada no carregamento da madeira já cortada. Segundo a Suzano, os testes tiveram como foco principal avaliar questões de segurança operacional e as limitações técnicas da teleoperação em ambiente real de colheita florestal.

Iniciativas semelhantes em outros países, como Suécia, Finlândia, Nova Zelândia, Canadá e Japão, ainda se encontram em fases de pesquisa, protótipo ou demonstração. Isso reforça o caráter pioneiro da experiência conduzida em Mato Grosso do Sul, que já avançou para uma aplicação em ambiente produtivo real, e não apenas em laboratório ou área controlada de testes.

Equipes da Komatsu do Japão e da Suécia já visitaram a operação instalada no estado para acompanhar de perto os resultados obtidos até aqui. Esse interesse internacional confirma que a experiência sul-mato-grossense está sendo observada como referência dentro do próprio ecossistema global de tecnologia florestal.

O potencial de inclusão de novos profissionais

Para Rodrigo Zagonel, diretor de Operações Florestais da Suzano em Mato Grosso do Sul, a tecnologia também pode ampliar o perfil de profissionais aptos a atuar na colheita florestal. Isso porque o trabalho deixa de exigir permanência física dentro da máquina em campo, condição que hoje restringe o acesso de determinados grupos a essa função.

Segundo o executivo, os testes já indicam a possibilidade de inclusão de outros públicos na atividade, incluindo pessoas com deficiência. Esse grupo atualmente enfrenta barreiras para operar equipamentos florestais nos moldes tradicionais, e a teleoperação surge como caminho para reduzir essa limitação de acesso ao mercado de trabalho do setor.

A dimensão do setor florestal no estado ajuda a explicar o potencial de expansão da tecnologia. Mato Grosso do Sul conta atualmente com mais de mil operadores atuando na colheita e no carregamento de madeira, com produção de aproximadamente 19 milhões de metros cúbicos por ano, em uma área de cerca de 100 mil hectares de florestas plantadas.

Por enquanto, a teleoperação está presente em apenas duas máquinas, o que caracteriza a fase atual como um piloto restrito antes de qualquer escalonamento. Depois da primeira fase de testes, o projeto deve avançar para uma etapa piloto mais ampla, com previsão de começar nos próximos meses e possibilidade de expansão gradual conforme os resultados forem validados pelas empresas parceiras.

Fontes:
https://www.campograndenews.com.br/lado-rural/tecnologia-permite-operar-colheitadeira-a-350-km-de-distancia-em-ms
https://fenati.org.br/tecnologia-maquinas-de-colheita-distancia-testes-ms/
https://www.radiocacula.com.br/tecnologia-permite-comandar-colheitadeira-florestal-a-350-quilometros-de-distancia-em-ms/