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Ponte da Rota Bioceânica avança no trecho paraguaio e aproxima Campo Grande do comércio com o Pacífico

Aterro hidráulico chega a três quilômetros em Carmelo Peralta, do lado paraguaio, e obra é tratada como decisiva para consolidar a Capital como ponto de partida do corredor rodoviário

A Ponte Internacional da Rota Bioceânica, que vai ligar Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, à cidade paraguaia de Carmelo Peralta, registrou novo avanço nesta semana. Equipes concluíram cerca de três quilômetros de aterro hidráulico no acesso que liga a estrutura à rodovia PY15, no Chaco paraguaio, com investimento de US$ 18 milhões financiado pela Itaipu Binacional e fiscalização do Ministério de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai (MOPC). A informação foi divulgada nesta segunda-feira (7) e mostra que o corredor, considerado uma das principais apostas logísticas do Centro-Oeste brasileiro, segue avançando dentro do cronograma para conclusão prevista ainda em setembro.

O que muda com a conclusão da ponte

O aterro é formado por areia dragada do próprio Rio Paraguai, aplicada sobre o solo pantanoso do Chaco até formar uma base de até cinco metros de altura. A execução está a cargo das empresas Tecnoedil S/A Construtora e LT Construtora S/A, sob responsabilidade técnica do engenheiro civil paraguaio Renê Gomez. O acesso que recebe esse aterro terá 1.294 metros de extensão e cerca de 20 metros de largura, com investimento aproximado de R$ 500 milhões apenas nessa etapa, segundo dados repassados pelas construtoras responsáveis pela obra no Paraguai.

A Rota Bioceânica é um corredor rodoviário de mais de 2,4 mil quilômetros que vai ligar o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico, passando por Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Campo Grande é tratada pelo próprio governo estadual como ponto de partida do trecho dentro do território brasileiro, o que já vem atraindo interesse de empresas de logística e distribuição para a região. Nos dias 4 e 5 de setembro, a Capital sediou o 2º Fórum Sul-Americano de Integração da Rota Bioceânica, reunindo empresários, investidores e autoridades dos quatro países envolvidos no projeto.

Para o setor produtivo sul-mato-grossense, a expectativa é que o corredor reduza significativamente o tempo e o custo de transporte de mercadorias até os portos do Pacífico, beneficiando principalmente o agronegócio e o setor exportador do estado. A previsão de quem acompanha a obra é que o trajeto entre Brasil e Ásia possa ser encurtado em até 17 dias, o que representaria economia relevante no escoamento de produtos como soja, milho e celulose produzidos em Mato Grosso do Sul.

Como está o cronograma da obra

A união das duas extremidades da ponte sobre o Rio Paraguai, etapa considerada simbólica por conectar fisicamente os dois países, ocorreu em julho de 2026. Desde então, a estrutura está na fase de ajustes finais, com conclusão prevista para este mês de setembro. Enquanto o lado paraguaio avança no aterro de acesso à PY15, o lado brasileiro segue com obras de infraestrutura viária sob responsabilidade do Consórcio PDC Fronteira e fiscalização do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

Apesar dos avanços, o material divulgado pelas empresas até o momento não detalha a extensão total do acesso paraguaio nem uma data exata de liberação ao tráfego, o que mantém parte do cronograma sujeito a atualizações. Especialistas em logística ouvidos por veículos da região avaliam que, mesmo com a ponte fisicamente concluída, a operação plena do corredor depende também da finalização da pavimentação de trechos remanescentes da rodovia PY15, no Chaco, entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo, próximo à fronteira com a Argentina.

Por que isso interessa a Campo Grande

Para a Capital, o principal efeito prático da obra é a possibilidade de se firmar como um novo centro de distribuição regional. Grandes empresas, incluindo marketplaces, já avaliam a instalação de estruturas logísticas em Campo Grande em função da proximidade com o futuro corredor. A cidade também tem sediado encontros técnicos e institucionais ligados ao projeto ao longo de 2026, reforçando seu papel de referência na articulação entre os países da Rota Bioceânica.

O acompanhamento da obra segue sendo feito por comitês binacionais e por entidades ligadas ao poder público estadual, que monitoram tanto o avanço físico da ponte quanto os desdobramentos econômicos esperados para os próximos anos. A conclusão da estrutura, sempre que confirmada oficialmente pelos governos envolvidos, deve ser tratada como marco para o setor de logística do Centro-Oeste.

Fontes:
https://www.campograndenews.com.br/cidades/interior/acesso-paraguaio-a-ponte-bioceanica-alcanca-3-km-de-aterro-hidraulico
https://acritica.net/economia/acesso-paraguaio-ponte-bioceanica-3-km-aterro-carmelo-peralta/
https://blog.favorita.com.br/rota-bioceanica-campo-grande/