Com cinco candidatos confirmados, sabatina da Capital FM expõe estratégias diferentes rumo às eleições de outubro
A campanha para o Governo de Mato Grosso do Sul ganhou mais um capítulo nesta quinta-feira (27), quando cinco dos oito candidatos ao Palácio do Governo participaram de uma sabatina promovida pela rádio Capital FM, em Campo Grande. O encontro reuniu Delcídio do Amaral (PRD), Fábio Trad (PT), Jeferson Bezerra (Agir), João Henrique Catan (Novo) e Lucien Rezende (PSOL), que discutiram temas como saúde, segurança e emprego diante do público sul-mato-grossense. A ausência mais comentada, no entanto, ficou por conta do governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, que preferiu cumprir agenda em São Paulo. Para o eleitor de Campo Grande, que acompanha de perto a disputa por ser a capital do estado e reduto do maior colégio eleitoral, a pergunta que fica é simples: por que o atual governador tem evitado os debates e sabatinas até agora, e o que isso pode significar para quem decide o voto observando o comportamento dos candidatos frente a frente?
Por que Riedel não tem comparecido aos debates
Riedel esteve fora tanto do primeiro debate, realizado na segunda-feira (17) e transmitido pela Morena FM e pelo portal Primeira Página, quanto da sabatina desta quinta. No primeiro encontro, o púlpito reservado a ele ficou vazio durante toda a transmissão, mediada pela jornalista Bruna Mendes, enquanto os outros sete candidatos convidados trocaram perguntas em três blocos de confronto direto. Já nesta quinta, o governador cumpriu agenda oficial em São Paulo, onde participou da entrega do Prêmio Excelência em Competitividade 2026, promovido pelo Centro de Liderança Pública (CLP), antes de retornar a Mato Grosso do Sul para uma reunião política em Paranaíba, cidade a 408 quilômetros de Campo Grande.
A justificativa do candidato à reeleição não é nova. Em nota divulgada antes do início oficial da campanha eleitoral, Riedel já havia comunicado que participaria de apenas dois debates ao longo de toda a disputa, ambos previstos para a segunda quinzena de setembro. A estratégia de concentrar as aparições públicas em um número reduzido de embates é comum entre candidatos que lideram pesquisas, já que a exposição excessiva pode gerar desgaste sem necessariamente agregar votos. Para o eleitorado, contudo, a ausência recorrente alimenta questionamentos sobre transparência de propostas e disposição para o debate direto de ideias, especialmente em um estado onde a capital concentra parcela expressiva do eleitorado.
Enquanto isso, os demais candidatos aproveitam cada oportunidade de aparição para se posicionar. Delcídio do Amaral, por exemplo, além de participar da sabatina pela manhã, seguiu para reuniões com empresários do segmento de saúde, dando continuidade a discussões sobre os desafios da área em Mato Grosso do Sul. A movimentação mostra que, na ausência do favorito nas pesquisas, o espaço aberto pelos debates tem sido usado pelos concorrentes para tentar equilibrar a disputa e ganhar visibilidade junto ao público que acompanha a campanha pelos veículos locais.
O que os candidatos discutiram e como isso chega ao eleitor da Capital
Os blocos de perguntas na sabatina da Capital FM giraram em torno de temas sensíveis ao dia a dia do campo-grandense, como a fila de atendimento na rede pública de saúde, a sensação de segurança nos bairros e a geração de empregos formais na Capital. Esses assuntos não são escolhidos ao acaso: pesquisas de opinião realizadas ao longo do ano em Mato Grosso do Sul apontam recorrentemente esses três pontos como prioridades do eleitor, o que explica por que se tornaram eixo central também do primeiro debate, realizado há dez dias. A repetição dos temas sugere que a campanha estadual de 2026 será decidida menos por polarização ideológica e mais pela capacidade de cada candidato apresentar soluções práticas para problemas concretos da população.
Fábio Trad, do PT, optou por uma estratégia diferente na mesma quinta-feira: em vez de permanecer na Capital, viajou ao interior do estado para visitar a Aldeia Limão Verde, em Amambai, e depois seguiu para uma caminhada pela cidade. À noite, o candidato tinha compromisso em Ponta Porã, no lançamento de uma candidatura local. Esse tipo de deslocamento revela outra faceta da disputa: enquanto os debates concentram atenção em Campo Grande, boa parte da campanha real acontece nas cidades do interior, onde vive uma fatia relevante do eleitorado e onde as alianças municipais podem pesar tanto quanto a exposição na mídia da Capital.
João Henrique Catan, do Novo, permaneceu em Campo Grande durante toda a quinta-feira, participando de entrevista em rádio na cidade. A escolha de concentrar agenda na Capital nesse momento da campanha é compreensível: é ali que se concentram os principais veículos de comunicação do estado e onde a cobertura eleitoral tende a ser mais intensa, o que aumenta as chances de repercussão para candidatos que ainda buscam construir reconhecimento de nome fora de seus núcleos políticos tradicionais.
O calendário que ainda vem pela frente
A Rede Mato-Grossense de Comunicação (RMC), responsável pela cobertura eleitoral que inclui o debate de segunda-feira, já sinalizou que a corrida por audiência e visibilidade está apenas começando. Segundo o diretor de jornalismo da emissora, Marcello Rosa, a cobertura foi pensada justamente para levar informação ao cidadão e ajudá-lo a decidir o voto com mais elementos concretos. Estão previstos ainda um debate pela TV Morena, outro organizado pelo portal g1 MS e, pela primeira vez nesta eleição, encontros específicos entre os candidatos ao Senado por Mato Grosso do Sul, ampliando o volume de informação disponível ao eleitor até outubro.
Para quem mora em Campo Grande e ainda não decidiu o voto, o calendário de debates funciona como uma espécie de termômetro da campanha. É nesses encontros que promessas de campanha costumam ser testadas ao vivo, com réplicas e tréplicas entre adversários, o que tende a expor contradições ou reforçar a coerência de cada plano de governo. Enquanto Riedel aposta em manter distância dos primeiros confrontos, os demais candidatos parecem apostar no caminho oposto: quanto mais aparições, maior a chance de se diferenciar em uma disputa que, até aqui, ainda não tem um favorito absolutamente consolidado nas urnas.
A expectativa é que, a partir de setembro, com a entrada de Riedel nos debates programados, o cenário eleitoral em Mato Grosso do Sul ganhe contornos mais claros. Até lá, o eleitor de Campo Grande segue acompanhando entrevistas, sabatinas e agendas de rua como as únicas fontes diretas de comparação entre os postulantes ao governo estadual, um exercício que tende a se intensificar conforme a data das eleições gerais de outubro se aproxima e a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão começa a ocupar o dia a dia dos sul-mato-grossenses.
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