Audiência pública realizada na sexta-feira (21) reuniu moradores, comerciantes e representantes da comunidade escolar para discutir a transferência do serviço destinado à população em situação de rua; segurança, localização e impactos no bairro estiveram entre as principais preocupações.
A instalação de uma nova unidade do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP) no bairro Amambaí provocou mobilização de moradores e comerciantes de Campo Grande. O assunto chegou à Câmara Municipal, que realizou uma audiência pública na sexta-feira, 21 de agosto de 2026, para discutir a proposta, ouvir a comunidade e cobrar esclarecimentos do poder público sobre o funcionamento do equipamento de assistência social. A reunião teve participação expressiva de moradores, comerciantes e integrantes da comunidade escolar da região. (Câmara MS)
O Centro POP é um equipamento da política de assistência social destinado ao atendimento especializado de pessoas em situação de rua. Entre suas funções estão orientação, acompanhamento social, encaminhamentos para outros serviços e apoio para acesso a direitos. O debate em Campo Grande, portanto, não questiona apenas a necessidade desse tipo de atendimento, mas principalmente onde e de que forma a nova estrutura será instalada, considerando as características da região escolhida. (Câmara MS)
Novo endereço provoca reação no bairro Amambaí
A proposta discutida prevê levar o Centro POP para um imóvel anteriormente utilizado pela Secretaria Municipal de Assistência Social, no bairro Amambaí. A localização provocou preocupação entre moradores e comerciantes, principalmente pela proximidade com áreas residenciais, estabelecimentos comerciais e uma escola municipal. Representantes da comunidade escolar também compareceram à audiência para acompanhar as discussões. (Câmara MS)
O bairro Amambaí já convive há anos com questões relacionadas à presença de pessoas em situação de rua, especialmente na região da antiga rodoviária. Segundo reportagem do Capital News, moradores relacionam parte dos problemas enfrentados na região ao período posterior à desativação do antigo terminal rodoviário, ocorrida em 2010. Durante o debate atual, a comunidade pediu informações mais claras sobre a rotina do novo Centro POP e as medidas que poderão ser adotadas para reduzir eventuais impactos sobre o entorno. (Capital News)
Segurança está entre as principais preocupações
A segurança foi um dos temas centrais levantados pela comunidade. Moradores querem saber como será organizada a circulação de usuários do Centro POP e quais ações serão adotadas pelo município no entorno. As preocupações também alcançam comerciantes, que acompanham os possíveis efeitos da mudança sobre a movimentação econômica e a rotina cotidiana do bairro. (Capital News)
A discussão, porém, envolve duas demandas que precisam ser consideradas simultaneamente: o atendimento adequado às pessoas em situação de vulnerabilidade e as preocupações de quem vive, trabalha ou estuda no Amambaí. Em manifestação sobre a audiência, a Fecomércio-MS afirmou considerar necessária a política pública de atendimento à população vulnerável, mas defendeu que sua implementação seja acompanhada de transparência, planejamento e diálogo com a comunidade e o setor produtivo. (Fecomércio MS –)
Guarda Municipal também aparece no planejamento
Outro ponto apresentado durante as discussões é a possibilidade de a estrutura contar também com presença da Guarda Civil Metropolitana (GCM). A proposta é relevante diante das reivindicações de moradores por reforço da segurança e maior presença do poder público na região. (Capital News)
A eventual integração entre assistência social e segurança pública tornou-se, assim, uma das questões importantes do debate. O desafio para o município será organizar os serviços sem transformar uma política de assistência social em uma questão exclusivamente policial, ao mesmo tempo em que responde às demandas apresentadas por moradores, comerciantes e pela comunidade escolar.
Centro POP presta atendimento à população em situação de rua
Atualmente, conforme informações divulgadas pela Câmara Municipal, o Centro POP funciona na Rua Joel Dibo. O equipamento oferece atendimento especializado às pessoas em situação de rua e integra a rede municipal de assistência social. A mudança de endereço está relacionada à reorganização desse atendimento na Capital. (Câmara MS)
Esse tipo de serviço possui papel importante na conexão dos usuários com outras políticas públicas. Pessoas em situação de rua podem necessitar simultaneamente de assistência social, documentação, atendimento de saúde, oportunidades de trabalho, acolhimento e acompanhamento especializado. Por isso, a localização e a estrutura de uma unidade do Centro POP interferem tanto na capacidade de atendimento quanto na dinâmica da região onde ela funciona.
Audiência amplia pressão por diálogo antes da mudança
A grande participação na audiência pública demonstrou que a instalação do equipamento deixou de ser apenas uma decisão administrativa e passou a ocupar espaço relevante na agenda política municipal de Campo Grande. A Câmara tornou-se um dos canais para que moradores e comerciantes apresentassem questionamentos e buscassem informações sobre a decisão do Executivo. (Câmara MS)
O debate também evidencia a necessidade de conciliar interesses distintos. De um lado está a obrigação do poder público de oferecer atendimento digno às pessoas em situação de rua. Do outro, moradores e comerciantes reivindicam planejamento, segurança e participação nas decisões que alteram a dinâmica do bairro. A discussão realizada no Legislativo abriu espaço justamente para colocar essas questões frente a frente.
Tema deve continuar na agenda política de Campo Grande
Mesmo após a audiência de 21 de agosto, a controvérsia mantém o Centro POP como uma pauta relevante da política municipal nesta segunda-feira, 24 de agosto. A atenção agora se volta aos encaminhamentos do poder público e às definições sobre a implantação e o funcionamento da nova estrutura.
Para moradores do Amambaí, a expectativa é que as reivindicações apresentadas na Câmara sejam consideradas antes da consolidação da mudança. Para a administração municipal, o desafio será garantir uma estrutura adequada para atender pessoas em situação de rua e, simultaneamente, estabelecer medidas capazes de responder às preocupações da comunidade que receberá o equipamento.










