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Justiça marca interrogatório de réus em processo sobre propina e fraudes no Detran-MS

Ex-servidora comissionada e despachante deverão ser interrogados em setembro em Campo Grande; investigação aponta pagamentos e vantagens em troca de alterações irregulares em registros de veículos

A Justiça de Mato Grosso do Sul marcou para 17 de setembro de 2026, em Campo Grande, o interrogatório de dois réus em uma ação penal que apura um suposto esquema de fraudes e pagamento de propina no Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS). A nova etapa do processo foi noticiada nesta segunda-feira, 17 de agosto de 2026. (Midiamax)

A audiência foi determinada pela juíza Eucélia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal de Competência Residual. Os réus são o despachante David Cloky Hoffaman Chita e a ex-servidora comissionada Yasmin Osório Cabral, que atuava na Corregedoria do Detran-MS. Ambos são acusados no processo, mas suas responsabilidades individuais ainda dependem do julgamento definitivo. (Midiamax)

O que a investigação aponta

Segundo a investigação do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), o esquema teria permitido a liberação irregular de documentos de veículos que apresentavam restrições.

A acusação sustenta que David Chita recorria ao contato dentro do Detran-MS para conseguir alterações que não poderiam ser realizadas regularmente.

Yasmin, por sua vez, é acusada de receber vantagens para realizar clandestinamente baixas relacionadas a caminhões com restrições. Segundo a apuração policial citada no processo, as operações teriam sido realizadas em conjunto com o despachante. (Midiamax)

Investigação cita iPhone, joias, eletrônicos e Pix

Um dos principais pontos da investigação envolve a maneira como as supostas vantagens indevidas teriam sido entregues.

De acordo com o relatório policial citado pelo Midiamax, David teria realizado pagamentos e oferecido bens a Yasmin em troca dos serviços. Entre as vantagens apontadas pela investigação estão um iPhone 15 Pro Max, joias, ar-condicionado, televisão e transferências de dinheiro por Pix. (Midiamax)

O telefone celular, segundo a investigação, teria sido colocado dentro de uma cesta e entregue à então servidora nas dependências do Detran-MS.

Esses elementos fazem parte das provas e alegações reunidas durante a investigação e serão avaliados judicialmente no decorrer da ação penal.

Réus chegaram a ser presos

David e Yasmin chegaram a ser presos durante o andamento do caso.

Posteriormente, Yasmin foi colocada em liberdade e permaneceu durante alguns meses utilizando tornozeleira eletrônica. David, por sua vez, ficou foragido por um período antes de ser preso. Atualmente, conforme reportagem publicada em 17 de agosto, ele está submetido a monitoramento eletrônico. (Midiamax)

As medidas cautelares adotadas durante o processo não representam condenação. A ação ainda está em andamento e os acusados mantêm seus direitos de defesa e contraditório.

Audiência anterior acabou adiada

O interrogatório estava inicialmente previsto para ocorrer antes.

Havia expectativa de que David e Yasmin fossem ouvidos durante uma audiência realizada em julho de 2026. Entretanto, uma testemunha não compareceu, o que provocou mudança no cronograma da instrução. (Midiamax)

Com isso, a Justiça marcou a nova audiência para 17 de setembro, quando os réus deverão apresentar suas versões sobre as acusações.

O interrogatório possui importância particular dentro de uma ação penal porque permite que o acusado responda às imputações depois da produção de parte significativa das provas e depoimentos.

Processo já passou por outras audiências

A primeira audiência relacionada ao caso ocorreu no final de janeiro. Desde então, a Justiça vem ouvindo testemunhas e analisando os elementos apresentados pela acusação e pelas defesas. (Midiamax)

Em abril, outra reportagem sobre as investigações informou que a 3ª Vara Criminal de Campo Grande avançava na instrução de processo relacionado a fraudes no Detran-MS, com dezenas de testemunhas indicadas para prestar depoimento. (Campo Grande News)

A marcação do interrogatório representa, portanto, mais uma etapa do andamento judicial das acusações.

Investigação aponta outros esquemas envolvendo documentação

As apurações sobre irregularidades no Detran-MS não se restringem ao núcleo formado pelos dois réus.

David Chita também responde a outros processos relacionados a supostas fraudes no departamento. Uma dessas investigações envolve alterações na documentação de semirreboques para inclusão irregular de um quarto eixo. (Midiamax)

De acordo com as acusações relatadas nas investigações, proprietários de veículos eram cooptados para pagar valores a intermediários. O despachante acionaria então contatos dentro do órgão público para promover alterações nos registros, com posterior divisão da vantagem indevida.

Uma investigação anterior da Polícia Civil já havia identificado suspeitas de transferências irregulares de veículos e inclusão fraudulenta de quarto eixo em carretas. Na ocasião, foram investigados crimes como corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica e inserção de dados falsos em sistemas de informação. (PC MS)

Tentativa de colaboração também aparece no caso

Outro capítulo da investigação envolve uma tentativa de colaboração com as autoridades.

Segundo a reportagem publicada nesta segunda-feira, David afirmou que poderia apresentar provas relacionadas às acusações e indicou a possibilidade de uma delação envolvendo uma suposta estrutura formada por diferentes agentes. A tentativa de acordo, entretanto, não avançou na Procuradoria-Geral da República (PGR). (Midiamax)

As alegações feitas pelo réu sobre outras pessoas ou eventuais estruturas criminosas não devem ser tratadas como fatos comprovados sem a correspondente confirmação pelas investigações e pelo Judiciário.

Próxima etapa será em setembro

Com a decisão da 3ª Vara Criminal, a atenção agora se volta para 17 de setembro de 2026.

Na audiência em Campo Grande, David Chita e Yasmin Osório Cabral deverão ser interrogados sobre as acusações relacionadas às supostas alterações fraudulentas de registros de veículos e ao pagamento de vantagens indevidas.

Depois da conclusão da fase de instrução, o processo poderá avançar para as manifestações finais da acusação e das defesas antes da sentença, conforme o rito aplicável e eventuais diligências determinadas pelo juízo.

Até que exista decisão judicial definitiva, os envolvidos devem ser considerados réus ou acusados, e não culpados pelos crimes investigados.

Fonte principal: reportagem do Midiamax publicada em 17 de agosto de 2026, com informações do processo que tramita na 3ª Vara Criminal de Competência Residual de Campo Grande. (Midiamax)