Tecnologia

Prefeitura de Campo Grande amplia digitalização de serviços e projeta 2026 como ano de consolidação tecnológica

Agetec fecha ciclo de entregas com Wi-Fi público, rede óptica e segurança digital, mas o que muda para quem usa os serviços municipais no dia a dia

Campo Grande vem se firmando como um polo tecnológico dentro do Centro-Oeste, mas talvez a transformação mais sentida pelo morador comum não esteja nas empresas privadas, e sim dentro da própria Prefeitura. A Agência Municipal de Tecnologia da Informação e Inovação, a Agetec, encerrou o último ciclo de trabalho com um conjunto expressivo de entregas voltadas à modernização da gestão pública, e já projeta 2026 como o ano em que essas mudanças devem se traduzir em melhorias concretas para quem depende dos serviços da Capital. A dúvida que fica para o campo-grandense é prática: o que, de fato, essa digitalização representa na hora de tirar um documento, acessar um posto de saúde ou simplesmente usar a internet em uma praça pública?

O que já foi entregue pela Agetec

Segundo a própria agência, o período recente consolidou a base tecnológica da administração municipal, com avanços em segurança da informação, eficiência operacional e qualidade das entregas digitais. O diretor-presidente da Agetec, Leandro Basmage, destacou que o trabalho seguiu com planejamento, automação e foco na população, buscando construir uma gestão mais digital e integrada. Essa fala resume o espírito das mudanças: em vez de apostar em projetos isolados, a Prefeitura optou por construir uma infraestrutura de base que sustente, ao longo dos próximos anos, uma oferta crescente de serviços online para os cidadãos.

A prefeita Adriane Lopes reforçou publicamente esse compromisso, afirmando que a cidade deu um salto importante rumo a uma gestão mais inteligente e conectada, e que a tecnologia tem aproximado a Prefeitura das pessoas. Segundo ela, a Agetec tem sido protagonista nesse processo de modernização e melhoria dos serviços públicos oferecidos à população. Esse tipo de declaração, vindo diretamente da chefia do Executivo municipal, sinaliza que a pauta tecnológica deixou de ser um projeto técnico isolado e passou a integrar o discurso político da gestão, o que costuma facilitar a continuidade de investimentos na área nos próximos orçamentos.

Entre as entregas já realizadas, destaca-se o avanço em segurança digital, com medidas voltadas a proteger dados e sistemas usados pela própria administração pública. Embora esse tipo de trabalho seja pouco visível para quem não lida diretamente com os sistemas internos da Prefeitura, ele é essencial para garantir que informações de milhares de cidadãos, armazenadas em cadastros municipais, estejam protegidas contra vazamentos e ataques cibernéticos, um problema que tem crescido em órgãos públicos de todo o país nos últimos anos.

O que está previsto para 2026

Para o próximo ciclo, a Agetec já anunciou a execução do segundo ciclo do Plano Diretor de Tecnologia da Informação, documento que orienta os investimentos e prioridades tecnológicas da Prefeitura. Também estão previstas a ampliação da rede óptica municipal, a instalação de novos pontos de Wi-Fi público e a evolução da segurança digital por meio de segmentação de redes e migração de sistemas para Kubernetes, tecnologia usada para gerenciar aplicações de forma mais estável e escalável. Para o morador que não é da área de tecnologia, a tradução prática é direta: mais pontos de internet gratuita em espaços públicos e sistemas municipais menos suscetíveis a falhas ou invasões.

A prefeita destacou ainda que 2026 será dedicado a ampliar a inovação e fortalecer a infraestrutura, garantindo que cada avanço tecnológico se traduza em melhoria real para o cidadão. Já Basmage projetou um ano de entregas robustas em soluções modernas, seguras e acessíveis, com o objetivo declarado de elevar Campo Grande a um novo patamar de cidade inteligente. O termo cidade inteligente, cada vez mais comum em discursos de gestão pública, geralmente se refere ao uso de tecnologia para otimizar serviços como iluminação, trânsito, saúde e atendimento ao cidadão, tornando a administração mais eficiente e menos burocrática.

Na prática, esse movimento de digitalização se conecta a outra tendência que vem ganhando força na cidade: o fortalecimento do ecossistema de inovação privado, sediado principalmente no Parque Tecnológico e de Inovação de Campo Grande, o Parktec CG. O espaço tem funcionado como ponto de encontro entre startups locais e projetos de aceleração, incubação e capacitação, servindo de referência tanto para empresas quanto para instituições públicas interessadas em soluções tecnológicas aplicadas.

O ecossistema de inovação que cresce ao redor da gestão pública

Um exemplo recente desse movimento é a startup BEM Inteligência de Dados, sediada no Parktec CG, que passou a aplicar uma tecnologia de eficiência energética em doze indústrias de Mato Grosso do Sul. A solução usa sensores e análise de dados para acompanhar consumo de energia, temperatura e desempenho de máquinas, permitindo que as empresas identifiquem desperdícios, picos de consumo e sobrecargas nos equipamentos. A BEM foi a única representante do estado selecionada na chamada nacional B+P Smart Factory, promovida pelo Senai em parceria com a Finep, iniciativa que destinou cerca de dezessete milhões de reais e oitocentos mil reais ao desenvolvimento de projetos de transformação digital industrial em todo o país, com apenas trinta e nove propostas aprovadas nacionalmente.

Esse tipo de conquista reforça um dado que já vinha sendo destacado por análises do setor: estimativas para 2026 apontam um PIB tecnológico próximo de dois bilhões e meio de reais para Campo Grande, resultado de um crescimento consistente no número de empresas de tecnologia instaladas na cidade, hoje somando mais de trezentas companhias formalmente estabelecidas. Esse conjunto vai de startups recém-criadas a filiais de empresas nacionais e internacionais que enxergam na Capital sul-mato-grossense uma porta de entrada estratégica para atender tanto o mercado local quanto o robusto setor do agronegócio regional, um dos maiores consumidores de tecnologia aplicada do interior do país.

A combinação entre investimento público em infraestrutura digital e o crescimento do setor privado de tecnologia tende a gerar um ciclo de retroalimentação: quanto mais eficiente e conectada for a gestão municipal, mais atrativa a cidade se torna para empresas de tecnologia, e quanto mais forte for esse ecossistema empresarial, maior a pressão e o incentivo para que a Prefeitura continue investindo em digitalização. Para o cidadão de Campo Grande, o resultado esperado é um serviço público mais ágil, com menos filas físicas e mais opções de atendimento pela internet, ainda que os efeitos completos dessas mudanças tendam a ser sentidos de forma gradual ao longo dos próximos anos, à medida que os projetos anunciados para 2026 forem efetivamente colocados em prática.

Fontes consultadas: