Estado consolida protagonismo no setor com destaque para florestas plantadas, soja e carnes, enquanto indústria também acelera vendas ao exterior
O agronegócio de Mato Grosso do Sul segue em trajetória de expansão e consolidou, em 2025, exportações superiores a US$ 10,1 bilhões, reforçando a posição do Estado entre os principais polos do setor no Brasil. O desempenho reflete o crescimento das cadeias de grãos, carnes e florestas plantadas, em um cenário nacional que também bateu recordes. Para quem acompanha a economia sul-mato-grossense, os números levantam uma pergunta natural: o que sustenta esse crescimento contínuo e o que esperar para os próximos meses? A resposta passa por uma combinação de fatores que vão da produtividade no campo até a diversificação da pauta exportadora do Estado.
Florestas plantadas superam a soja pela primeira vez
Um dos dados mais relevantes do balanço de 2025 é a mudança na composição das exportações do agro sul-mato-grossense. Pela primeira vez na história, os produtos florestais superaram a soja em valor exportado, somando US$ 3,12 bilhões, à frente do complexo soja, que alcançou US$ 2,94 bilhões, e das carnes, com US$ 2,44 bilhões. Essa inversão sinaliza um movimento de diversificação da base produtiva do Estado, que já não depende exclusivamente dos grãos para sustentar o desempenho exportador. O crescimento do setor florestal tem relação direta com a expansão da produção de celulose e papel em Mato Grosso do Sul, segmento que vem recebendo investimentos relevantes nos últimos anos.
A China permanece como o principal destino da produção estadual, concentrando 47,2% de todas as exportações do agro sul-mato-grossense, uma concentração que reforça a importância do mercado chinês para a economia do Estado, mas que também levanta questões sobre a dependência de um único parceiro comercial. As projeções para as próximas safras seguem otimistas: a soja 2025/2026 deve alcançar 17,7 milhões de toneladas, enquanto o milho pode atingir 11,1 milhões de toneladas em 2026, números que, se confirmados, devem manter o ritmo de crescimento observado nos últimos ciclos produtivos.
Pecuária mantém MS entre os maiores produtores do país
Na pecuária, Mato Grosso do Sul segue entre os grandes players nacionais, tendo produzido aproximadamente 1,055 milhão de toneladas de carne bovina em 2025, o suficiente para manter a quarta colocação do país tanto em produção quanto em exportação. Esse desempenho é resultado de anos de investimento em manejo de rebanho, genética e eficiência produtiva dentro das fazendas, fatores que entidades do setor costumam apontar como determinantes para a competitividade do Estado frente a outras regiões produtoras do Brasil.
A força do agronegócio também aparece na geração de empregos. Cerca de 97,9 mil vagas em Mato Grosso do Sul estão diretamente ligadas às atividades agropecuárias, com a bovinocultura à frente na geração de postos de trabalho, seguida pelas florestas plantadas, produção de soja, atividades de apoio à agricultura e cultivo de cana-de-açúcar. O Valor Bruto da Produção (VBP) do Estado alcançou R$ 86 bilhões em 2025, um indicador que reforça o peso do setor na economia estadual como um todo, já que o agronegócio nacional respondeu por 25,1% do PIB brasileiro no mesmo período.
Indústria também acelera exportações no início de 2026
Além do desempenho do agro propriamente dito, a indústria de Mato Grosso do Sul também vem surpreendendo. Entre janeiro e maio de 2026, as vendas industriais ao exterior ultrapassaram US$ 3 bilhões, o equivalente a 65% de toda a receita obtida com as exportações do Estado no período. Somente em maio, o setor negociou US$ 605,1 milhões, o segundo melhor resultado da história para o mês. Os maiores volumes vieram do complexo frigorífico, responsável por US$ 1,15 bilhão, seguido de perto pela cadeia de celulose e papel, com US$ 1,12 bilhão, além de produtos derivados da soja, açúcar, álcool, minérios e produtos metalúrgicos.
Esse desempenho industrial caminha junto com o próprio crescimento do agro, já que boa parte da indústria sul-mato-grossense está diretamente ligada ao processamento de matérias-primas agropecuárias, como carne e celulose. A combinação entre agricultura, pecuária e indústria de transformação forma um ciclo que se retroalimenta: quanto mais eficiente a produção no campo, maior a disponibilidade de insumos para a indústria local, que por sua vez agrega valor antes da exportação. Esse arranjo produtivo tem sido citado por analistas como um dos fatores que explicam a resiliência da economia sul-mato-grossense mesmo diante de oscilações no cenário internacional.
Desafios e perspectivas para os próximos meses
Apesar dos números positivos, o setor enfrenta desafios conhecidos, como a pressão nos custos de produção, sobretudo com fertilizantes, diesel, frete e crédito rural, itens que pesam diretamente no bolso do produtor rural. Entidades como o Senar/MS têm ampliado ações de capacitação voltadas à agricultura de precisão, manejo de rebanhos, operação de máquinas e gestão rural, num esforço para que a profissionalização do campo acompanhe o ritmo de crescimento da produção. Para o superintendente da entidade, a qualificação da mão de obra se tornou estratégica diante de um mercado cada vez mais técnico e exigente.
O reforço institucional também aparece em ações recentes do governo estadual, que tem promovido encontros diretos com produtores rurais em diferentes regiões do Estado, buscando alinhar políticas públicas às demandas do setor. Diante desse cenário, a expectativa para o segundo semestre de 2026 é de continuidade no ritmo de crescimento, ainda que com atenção a fatores externos, como o comportamento da demanda chinesa e eventuais mudanças nas condições climáticas que possam afetar as safras em andamento. Para Mato Grosso do Sul, manter esse protagonismo passa por equilibrar produtividade, diversificação de mercados e capacitação da mão de obra no campo.
Fontes consultadas: RCN67 | Capital News | A Crítica de Campo Grande










